A guerra no Irã está a aumentar a pressão sobre bancos centrais europeus para elevar as taxas de juro, depois de o conflito provocar uma forte subida nos preços da energia e reacender receios de uma nova onda de inflação.
Os mercados financeiros intensificaram nesta segunda-feira as apostas de que várias autoridades monetárias na Europa poderão subir os juros antes do final do ano, incluindo o Banco Central Europeu, o Banco Nacional Suíço e o Riksbank da Suécia. Analistas também apontam que o Banco da Inglaterra poderá seguir o mesmo caminho nos próximos anos.
O movimento ocorre num momento em que os preços do petróleo bruto ultrapassaram os 119 dólares por barril, o nível mais alto desde 2022, impulsionados pela redução da oferta e pelos receios de interrupções prolongadas nas rotas marítimas de transporte de energia.
Choque energético reacende memórias da crise de 2022
Para muitos responsáveis de política monetária, o cenário atual revive a crise energética desencadeada pela Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que levou a uma forte subida da inflação na Europa.
Esse é um trauma que ainda está muito presente entre alguns banqueiros centrais, então não podemos ignorá-lo”, afirmou Frederik Ducrozet, chefe de pesquisa macroeconómica da Pictet Wealth Management.
Segundo ele, os responsáveis monetários temem um novo choque de oferta que possa afectar cadeias de abastecimento e pressionar novamente os preços ao consumidor.
Mercados antecipam aumentos das taxas
Dados dos mercados monetários indicam que o Banco Central Europeu poderá subir os juros uma vez entre junho e julho e possivelmente voltar a fazê-lo em dezembro.

O Riksbank da Suécia também é visto a aumentar as taxas uma ou duas vezes no segundo semestre, enquanto o Banco Nacional Suíço poderá avançar com medidas em outubro.
Já o Banco da Inglaterra é apontado como possível participante do novo ciclo de aperto monetário em 2027.
Aumento da energia pode pressionar economia
Economistas alertam que, caso os preços do petróleo e do gás permaneçam elevados, a inflação na zona do euro poderá subir cerca de um ponto percentual.
O aumento do custo dos combustíveis tende a espalhar-se por toda a economia, elevando despesas de transporte, produção e logística, fenómeno semelhante ao observado em 2022.
Agora o conselho do BCE será muito menos paciente, pois desejará evitar uma repetição de 2022”, afirmou Marco Brancolini, estratega de taxas da Nomura.
Dilema para os bancos centrais

Apesar disso, alguns economistas defendem cautela, argumentando que choques temporários nos preços da energia nem sempre justificam um aperto imediato da política monetária.
Segundo Reinhard Cluse, economista do UBS, a estratégia tradicional do BCE tem sido ignorar aumentos temporários nos preços da energia para evitar prejudicar o crescimento económico.
Ainda assim, analistas alertam que o actual cenário geopolítico pode obrigar as autoridades monetárias a agir mais cedo do que o esperado.
Impacto económico global
A subida dos preços do petróleo não afecta apenas a inflação, mas também os custos globais de produção e transporte, podendo desacelerar o crescimento económico.
Economistas destacam que um período prolongado de energia cara tende a reduzir o consumo, pressionar empresas e aumentar o custo do crédito, factores que podem influenciar decisões de investimento e política monetária em várias regiões do mundo.

