A guerra com o Irã está colocando a liderança global dos Estados Unidos em risco, alertou o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, em entrevista à Reuters. Crosetto destacou preocupações sobre a escalada nuclear e descreveu o conflito como um cenário no qual cada ação desencadeia respostas em níveis superiores de tensão.
A Itália, assim como outros aliados da OTAN, se mostrou relutante em apoiar plenamente os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, negando recentemente permissão para que aeronaves militares americanas utilizassem a base aérea de Sigonella, na Sicília, a caminho do Oriente Médio. Crosetto destacou que decisões unilaterais podem fragilizar a posição internacional dos EUA.
O ministro lembrou os bombardeios nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial como exemplo de riscos do poder militar descontrolado, ressaltando que armas nucleares ainda são uma ameaça global e que a tendência de proliferação aumenta o risco de conflitos devastadores. “O risco é a loucura”, disse ele, ressaltando que a falta de contrapesos pode agravar ainda mais a situação.


Crosetto também criticou a atual presidência americana por não ter conselheiros dispostos a contradizer o chefe, apontando que a ausência de debates internos compromete a tomada de decisões estratégicas. Ele enfatizou que a postura europeia visa limitar riscos, enquanto aliados e adversários observam atentamente os desdobramentos do conflito.
Enquanto isso, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, buscou fortalecer laços diplomáticos no Oriente Médio, visitando Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos para garantir o fornecimento de energia e demonstrar apoio às nações do Golfo. O contexto global de aumento de preços de combustíveis torna a estabilidade na região ainda mais estratégica para a Itália e para seus parceiros internacionais.

