O Gana está a perder cerca de 2,5 mil milhões de dólares por ano em exportações devido à venda de produtos agrícolas em estado bruto, sem transformação industrial, uma situação que evidencia fragilidades estruturais na cadeia de valor do país.
A informação foi avançada pela ministra do Comércio, Agronegócio e Indústria, Elizabeth Ofosu-Adjare, durante o Kwahu Business Forum 2026, onde destacou que a ausência de agregação de valor continua a limitar o potencial económico das exportações ganesas.


Segundo a governante, a dependência de matérias-primas agrícolas não transformadas tem resultado numa perda significativa de receitas, reduzindo a capacidade do país de capturar valor ao longo da cadeia produtiva e enfraquecendo a competitividade externa.
Para inverter este cenário, o Governo concluiu um novo quadro nacional de política agrícola, actualmente em fase de consulta pública, que visa promover a industrialização do sector e fortalecer a ligação entre produção, processamento e comercialização.
O documento, que será submetido ao Conselho de Ministros sob orientação do Presidente John Dramani Mahama, estabelece incentivos e regras claras para atrair investimento privado, estimular a agroindústria e desenvolver sectores estratégicos como têxteis, medicamentos e componentes automóveis.


A estratégia inclui ainda a criação de condições para melhorar o acesso a mercados, reforçar a certificação de produtos e disponibilizar informação sobre regras de origem, factores essenciais para aumentar a competitividade das empresas ganesas no comércio regional e internacional.
Enquanto sede do secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana, o Gana procura posicionar-se como um dos principais impulsionadores do comércio intra-africano, aproveitando a integração económica do continente para expandir as suas exportações com maior valor acrescentado.
Apesar das iniciativas governamentais, a ministra alertou que os resultados dependem fortemente do envolvimento do sector privado, apelando às empresas para investirem em tecnologia, qualificação e boas práticas de gestão, de forma a transformar o actual modelo exportador e reduzir perdas estruturais na economia.

