O Fundo Monetário Internacional reviu em alta a previsão de crescimento da economia de Angola para 2,3% em 2026, acima dos 2,1% estimados anteriormente, sinalizando uma recuperação gradual num contexto ainda marcado por desafios estruturais e volatilidade externa. A atualização foi divulgada no âmbito das Perspetivas Económicas Globais, apresentadas durante os encontros anuais do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
Do ponto de vista económico, a revisão positiva reflete alguma resiliência da economia angolana, sustentada sobretudo pelo desempenho do setor petrolífero e por sinais de estabilização macroeconómica. No entanto, o crescimento continua abaixo do potencial necessário para uma transformação estrutural mais acelerada.



Para investidores, o ajuste nas previsões pode ser interpretado como um sinal de confiança moderada das instituições internacionais, ainda que insuficiente para alterar significativamente a perceção de risco. O ritmo de crescimento permanece limitado, exigindo reformas adicionais para impulsionar a diversificação económica e atrair capital produtivo.
A leitura crítica dos dados aponta que, apesar da melhoria, Angola continua dependente de fatores externos, como preços do petróleo e condições financeiras globais. Sem avanços consistentes na produção interna e no ambiente de negócios, o crescimento poderá manter-se vulnerável a choques externos.

Num cenário global incerto, a revisão do FMI reforça a necessidade de políticas económicas mais robustas e orientadas para o investimento, produtividade e diversificação. O desafio do país será transformar este crescimento moderado em expansão sustentável, com impacto real na economia e no emprego.

