O FirstRand, maior banco da África do Sul em valor de mercado, está a avaliar a saída do Reino Unido após um forte impacto financeiro associado a práticas no financiamento automóvel, com responsabilidades que podem aproximar-se de mil milhões de dólares.
A decisão surge depois de o banco reforçar as provisões para indemnizações para 750 milhões de libras (cerca de 957 milhões de dólares), no âmbito de uma investigação conduzida pela Financial Conduct Authority, que identificou falhas na divulgação de comissões aos clientes em todo o sector.


As operações afectadas concentram-se no banco Aldermore e na unidade de financiamento automóvel MotoNovo, ambas no mercado britânico, onde o novo modelo de compensação deverá implicar pagamentos elevados por parte das instituições financeiras.
Estas alterações são problemáticas, pois resultam num impacto financeiro acima das expectativas do grupo”, afirmou o banco, acrescentando que a proposta final é “desproporcional e injusta
O novo sistema de compensação, que adopta um modelo híbrido e aplica taxas de juro mais elevadas, aumentou significativamente o encargo para os credores, levando o FirstRand a acrescentar mais 510 milhões de libras (cerca de 650 milhões de dólares) às provisões já existentes.
A dimensão do impacto torna-se ainda mais evidente quando comparada com o histórico do grupo no Reino Unido: em mais de uma década de actividade no financiamento automóvel, o banco gerou apenas 275 milhões de libras (cerca de 350 milhões de dólares), valor muito inferior às provisões agora constituídas.

Perante este cenário, o FirstRand admite rever a sua presença no mercado britânico, alertando que níveis elevados de provisões podem limitar seriamente a capacidade de financiamento. “Isto poderá significar que os recursos financeiros disponíveis para o financiamento automóvel no Reino Unido serão severamente limitados”, destacou.
Apesar de manter níveis de capital acima das metas internas, o banco considera que o negócio já não corresponde às expectativas de retorno, tendo iniciado contactos para uma “transição ordenada de propriedade” do Aldermore, o que pode resultar numa venda ou saída definitiva, num contexto que evidencia os riscos regulatórios da expansão internacional.

