O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos deve manter as taxas de juros estáveis nesta quarta-feira, mesmo em meio a uma guerra com o Irã que começou há menos de três semanas. Autoridades do banco central divulgarão também uma nova declaração de política monetária e projeções sobre como o conflito impacta as perspectivas para a economia, a inflação e o mercado de trabalho.
O conflito no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo acima de US$ 100, aumentando o custo da gasolina nos EUA, que atingiu US$ 3,79 por galão, mais de 25% acima do valor anterior à guerra. O aumento dos combustíveis gerou alerta em companhias aéreas e agrícolas, que sinalizam custos mais altos, enquanto consumidores podem reduzir gastos e parceiros comerciais na Europa enfrentam choques inflacionários.

Economistas projetam cenário estagflacionário
A perspectiva econômica mudou para o Fed, de crescimento estável com inflação moderada, para um cenário de pressão inflacionária crescente e riscos ao mercado de trabalho. Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, projeta estagflação, com aumento da inflação e do desemprego até o final do ano.
Os formuladores de políticas do Fed devem equilibrar visões divergentes: alguns defendem cortes de juros para proteger o emprego, enquanto outros apoiam manutenção ou aumento das taxas antes do fim do ano.
O relatório de empregos de fevereiro mostrou perda de 92.000 postos, enquanto os mercados futuros preveem apenas um corte de 0,25 ponto percentual este ano, em setembro, e outro em 2027, contrastando com o desejo do presidente Donald Trump por reduções mais agressivas. A incerteza política e a possibilidade de mudança na presidência do Fed adicionam complexidade ao cenário.

A manutenção das taxas pelo Fed em meio à guerra e ao aumento dos preços do petróleo tem efeitos diretos na inflação, custos de empréstimos e poder de compra dos consumidores. Setores intensivos em energia, como transporte e agricultura, enfrentam pressões adicionais, enquanto cortes futuros nas taxas podem ser limitados caso a inflação continue elevada.
A conjuntura evidencia a vulnerabilidade da economia americana a choques externos e a necessidade de decisões calibradas do Fed para equilibrar crescimento e estabilidade monetária.

