A fabricante de táxis aéreos eléctricos Archer Aviation acusou a concorrente Joby Aviation de manter ligações ilegais com a China para obter vantagens competitivas no mercado, segundo uma contra-acção judicial apresentada num tribunal federal dos Estados Unidos.
Na contestação apresentada na segunda-feira, a Archer alegou que a rival classificou de forma fraudulenta milhares de quilos de materiais aeronáuticos de origem chinesa como bens de consumo, numa tentativa de contornar tarifas comerciais americanas e mecanismos de fiscalização da influência estrangeira.
Segundo a empresa, essa prática teria permitido à Joby reduzir custos e ganhar vantagem na corrida tecnológica para desenvolver aeronaves de mobilidade aérea urbana.
Disputa judicial entre as empresas
O processo é uma resposta a uma acção movida pela Joby em novembro do ano passado num tribunal estadual da Califórnia.
Na altura, a Joby acusou a Archer de roubar segredos comerciais ao contratar um antigo funcionário da empresa que teria levado informações confidenciais relacionadas com estratégias de negócios, acordos de parceria e especificações técnicas das aeronaves.

O caso foi posteriormente transferido para um tribunal distrital federal em dezembro.
O advogado da Joby, Alex Spiro, rejeitou as acusações apresentadas pela Archer.
“A empresa não responde a absurdos”, afirmou em comunicado.
Segundo ele, os “constantes problemas legais e as operações comerciais instáveis da Archer” levaram a empresa a recorrer a teorias inventadas.
Acusações de dependência financeira da China
Na sua contestação, a Archer também alegou que a Joby teria recebido subsídios e benefícios financeiros do governo chinês, o que demonstraria uma dependência estrangeira não divulgada.
A empresa afirmou ainda que a rival se apresenta publicamente como uma companhia americana enquanto omite supostos laços com Pequim que poderiam influenciar a concorrência no sector.
Corrida global pelos táxis aéreos
A disputa surge num momento em que os Estados Unidos intensificam os investimentos em mobilidade aérea avançada.
Na segunda-feira, o Departamento de Transportes norte-americano anunciou oito programas de financiamento destinados a impulsionar o desenvolvimento de drones e táxis aéreos. Tanto a Archer como a Joby participam em três desses programas.
A iniciativa foi anunciada durante a administração do presidente Donald Trump como parte de um esforço para competir com a China no desenvolvimento de novas tecnologias de mobilidade aérea.

Empresas do sector de aeronaves eléctricas de decolagem e pouso vertical conhecidas como eVTOL estão actualmente numa corrida para obter certificação regulatória e lançar serviços de transporte urbano rápido e sustentável.
A disputa entre Archer e Joby evidencia a forte competição num mercado que pode movimentar dezenas de milhares de milhões de dólares nas próximas décadas.
Especialistas consideram que o sector de táxis aéreos eléctricos poderá transformar a mobilidade urbana, reduzir tempos de deslocação nas grandes cidades e criar novas cadeias industriais envolvendo fabricantes aeronáuticos, empresas tecnológicas e operadores de transporte.
Ao mesmo tempo, a corrida tecnológica entre empresas americanas e chinesas neste segmento tornou-se também uma questão estratégica para a liderança global em inovação e indústria aeronáutica.

