Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Iraque ao bloquear remessas de dólares provenientes das receitas petrolíferas iraquianas, numa medida que visa forçar o desmantelamento de milícias apoiadas pelo Irã. A decisão, atribuída à administração de Donald Trump e revelada pelo The Wall Street Journal, representa uma escalada no uso de instrumentos financeiros como ferramenta de pressão geopolítica.
Segundo o relatório, cerca de 500 milhões de dólares oriundos da venda de petróleo iraquiano e depositados em contas no Federal Reserve Bank of New York foram bloqueados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A medida limita a liquidez em dólares no sistema financeiro iraquiano, com potenciais impactos na estabilidade cambial, no comércio externo e na capacidade de financiamento do governo.



Paralelamente, Washington suspendeu parte dos programas de cooperação militar e de combate ao terrorismo com as forças iraquianas, condicionando o restabelecimento do apoio à redução dos ataques atribuídos a milícias alinhadas com Teerão. Este duplo movimento financeiro e militar reforça a estratégia de pressão directa sobre Bagdá para reposicionar o seu equilíbrio interno de poder.
Do ponto de vista económico, a restrição no acesso a dólares pode gerar efeitos imediatos no mercado cambial iraquiano, pressionando a moeda local, aumentando custos de importação e criando tensões inflacionistas. Para um país altamente dependente das receitas petrolíferas e da liquidez em moeda estrangeira, medidas desta natureza ampliam riscos macroeconómicos e fragilizam a previsibilidade do ambiente de negócios.

No plano geopolítico, a decisão evidencia a crescente utilização de instrumentos financeiros como extensão da política externa dos Estados Unidos. Embora possa produzir resultados tácticos no curto prazo, o impacto de longo prazo dependerá da capacidade do Iraque em equilibrar relações com Washington e Teerão, sem comprometer a estabilidade económica e institucional do país.

