Os Estados Unidos continuam a enfrentar dificuldades para reduzir a influência da China sobre os minerais estratégicos da República Democrática do Congo, apesar do pacto mineral assinado entre Washington e Kinshasa em dezembro, segundo apurou a Reuters junto de diplomatas e fontes do setor.
O Congo, que detém as maiores reservas mundiais de cobalto e importantes depósitos de cobre e lítio, é peça central na estratégia norte-americana para diminuir a dependência do Ocidente em relação à China no fornecimento de minerais críticos. No âmbito do acordo, Kinshasa entregou aos EUA uma lista restrita de 44 projetos mineiros considerados prioritários, abrangendo cobre, cobalto, lítio, estanho, ouro e hidrocarbonetos.


No entanto, vários desses ativos estão localizados em zonas politicamente instáveis ou enfrentam disputas de licenciamento e problemas de conformidade, o que reduz as perspetivas de acordos rápidos. Algumas áreas, como Rubaya — responsável por cerca de 15% da produção global de coltan — encontram-se sob influência de grupos armados, incluindo o M23, cuja atuação no leste do país continua a gerar tensões regionais.

Fontes diplomáticas indicam que Kinshasa poderá estar a atrasar deliberadamente certos avanços para pressionar Washington a intensificar a sua intervenção diplomática e de segurança contra o M23 e alegados apoios externos. O governo congolês, por sua vez, descreve essas alegações como especulativas.
Entre os projetos acompanhados de perto estão a proposta para que a Glencore venda ativos de cobre e cobalto a um consórcio apoiado pelos EUA, a tentativa da norte-americana Virtus Minerals de adquirir a Chemaf e a expansão do Corredor do Lobito, infraestrutura estratégica para exportação de minerais.
Apesar da pressão diplomática, analistas sublinham que os entraves estruturais — como bloqueios de licenças, disputas de propriedade e exigências rigorosas de conformidade impostas às empresas ocidentais — tornam o avanço norte-americano mais lento em comparação com operadores chineses. Em projetos como o de Manono, considerado um dos maiores recursos de lítio do mundo, empresas ligadas a Pequim já avançam na infraestrutura, enquanto investidores apoiados pelos EUA ainda resolvem disputas legais.

Segundo especialistas citados pela Reuters, o contraste entre os processos de due diligence exigidos às empresas ocidentais e a maior flexibilidade operacional das companhias chinesas tem permitido a estas últimas consolidar posições no terreno. Atualmente, empresas chinesas controlam mais de 70% dos principais ativos de cobre-cobalto e outros minerais críticos no Congo.
Embora Washington procure concentrar-se em ativos “prontos para produção”, analistas alertam que uma mudança estrutural exigiria investimentos de longo prazo e maior apetite ao risco por parte das empresas norte-americanas — algo que, até ao momento, se tem revelado limitado.

