Marrocos dispõe atualmente de reservas de diesel suficientes para 51 dias e de gasolina para 55 dias, num contexto de forte pressão sobre os mercados energéticos internacionais, segundo o Ministério da Energia. Apesar do nível de cobertura considerado estável no curto prazo, a elevada dependência de importações mantém o país vulnerável à volatilidade dos preços do petróleo.
A escalada dos preços energéticos, impulsionada pela guerra no Médio Oriente, tem tido impacto direto no custo dos combustíveis no país. Desde o final de fevereiro, os preços do diesel e da gasolina aumentaram cerca de 30%, pressionando os custos de transporte e o poder de compra das famílias.

Sem capacidade interna de refinação desde 2015, Marrocos depende totalmente da importação de combustíveis refinados, o que expõe a economia a choques externos. A interrupção das cadeias globais de abastecimento e o aumento dos custos logísticos intensificaram esse risco.
Como resposta, o governo reintroduziu subsídios direcionados aos transportadores profissionais, como taxistas e operadores de carga, numa tentativa de conter o impacto inflacionário. Ainda assim, o efeito dessas medidas é limitado, uma vez que o mercado de combustíveis é dominado por operadores privados e segue a dinâmica internacional de preços.
Diversificação energética atenua impacto, mas não elimina riscos
O Executivo aponta a diversificação das fontes de abastecimento com destaque para importações provenientes da Europa e dos Estados Unidos como um dos principais mecanismos de mitigação. No setor elétrico, o carvão continua a ser dominante, representando cerca de 60% da produção, seguido por energias renováveis (25%) e gás natural (10%).
O fornecimento de carvão e gás está garantido até ao final de junho, enquanto o consumo de gás caiu 11% no primeiro trimestre, beneficiando do aumento da produção hidroelétrica, impulsionada pelas chuvas.


Pressão sobre inflação e contas públicas
A subida dos preços do petróleo representa um risco direto para a estabilidade macroeconómica. O orçamento de 2026 foi elaborado com base num preço de 60 dólares por barril, significativamente abaixo dos níveis atuais, que rondam os 100 dólares.
Esse desfasamento pode agravar o défice fiscal e acelerar a inflação, cenário já reconhecido pelas autoridades. Como medida de contingência, o país poderá recorrer a uma linha de crédito flexível do Fundo Monetário Internacional, no valor de 4,5 mil milhões de dólares, caso os preços ultrapassem os 120 dólares por barril.
A situação evidencia um risco estrutural na economia marroquina: a forte dependência energética externa. Embora as reservas atuais garantam alguma estabilidade no curto prazo, o país permanece exposto a choques geopolíticos e flutuações do mercado global.
A médio prazo, o reforço das energias renováveis e a diversificação das fontes de abastecimento surgem como caminhos estratégicos para reduzir vulnerabilidades. No entanto, enquanto persistir a dependência de importações, a economia continuará sensível a crises externas, com impacto direto na inflação, nas contas públicas e na competitividade.

