Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir nos mercados globais, impulsionados pelo agravamento do conflito no Médio Oriente e pelo receio de interrupções nas principais rotas de abastecimento energético mundial.
Analistas indicam que o mercado petrolífero está a tornar-se cada vez mais restritivo, num momento em que as tensões militares envolvendo Irã, Israel e os Estados Unidos continuam a escalar, gerando forte instabilidade nos fluxos internacionais de petróleo.
Segundo o analista da consultora PVM, John Evans, a situação agravou-se depois de o governo da China ter ordenado às suas maiores refinarias a suspensão das exportações de diesel e gasolina, numa tentativa de garantir o abastecimento interno. A decisão está a pressionar ainda mais os mercados de combustíveis refinados.

Na Europa, os contratos futuros de diesel já atingiram cerca de 1.130 dólares por tonelada, o valor mais elevado desde outubro de 2022, reflectindo o aumento da procura e o receio de escassez.
Outro ponto crítico é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Analistas do banco ANZ alertam que qualquer interrupção no fluxo de navios nesta zona poderá provocar um impacto significativo no abastecimento global de energia.
Dados das empresas de rastreamento marítimo Vortexa e Kpler indicam que cerca de 300 petroleiros permanecem dentro do estreito, enquanto o tráfego de navios que entram e saem da região praticamente paralisou desde o início da escalada militar.
O conflito intensificou-se após uma nova vaga de ataques de mísseis lançados pelo Irã contra Israel, obrigando milhões de pessoas a procurar abrigo. Em paralelo, confrontos militares envolvendo forças norte-americanas e iranianas ampliaram a instabilidade na região.
A tensão também já começa a afectar a produção energética de outros países do Golfo. O Iraque, segundo maior produtor de petróleo da OPEP, reduziu a sua produção em cerca de 1,5 milhões de barris por dia devido à falta de capacidade de armazenamento e dificuldades nas rotas de exportação.

Já o Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, declarou situação de força maior nas exportações de gás, alertando que o regresso aos níveis normais de produção poderá demorar pelo menos um mês.
Relatos de explosões próximas a petroleiros na costa do Kuwait e ataques a embarcações no Estreito de Ormuz reforçam os receios de que o conflito possa afectar directamente o transporte marítimo de energia.
Para especialistas, a evolução da crise poderá continuar a provocar forte volatilidade nos mercados energéticos e pressionar os preços do petróleo e dos combustíveis nos próximos dias, com impactos na economia global e nos países dependentes da importação de energia.

