As empresas nacionais estão a consolidar a sua posição na indústria petrolífera angolana, impulsionadas por políticas públicas focadas no conteúdo local e pela crescente participação em contratos de grande dimensão.
Dados apresentados pelo ministro Diamantino Azevedo indicam que o sector dos hidrocarbonetos continua a gerar oportunidades relevantes de negócio, emprego qualificado e transferência tecnológica, reforçando o papel do petróleo como motor estratégico da economia.


Durante a Conferência Anual do Conteúdo Local, realizada em Luanda, o governante reiterou que o Executivo mantém o compromisso de estruturar políticas que promovam investimento sustentável, ao mesmo tempo que estimulam a criação de valor interno. A iniciativa visa posicionar as empresas angolanas como protagonistas numa cadeia de valor historicamente dominada por operadores internacionais.
No plano financeiro, os números demonstram uma transformação significativa entre 2022 e 2025, a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) homologou contratos avaliados em cerca de 54,4 mil milhões de dólares.
Deste montante, aproximadamente 97% equivalente a 52,6 mil milhões de dólares, foram adjudicados a empresas registadas em Angola, evidenciando um forte alinhamento com a estratégia de nacionalização do sector.
Apesar do domínio das empresas registadas localmente, a participação directa de empresas totalmente detidas por cidadãos angolanos ainda revela espaço para crescimento, embora com evolução consistente.
Em termos globais, estas empresas passaram de cerca de 4% das adjudicações em 2022 para 12% até Agosto de 2025, encerrando o ano com uma média próxima de 8%, reflexo da complexidade técnica dos contratos mais recentes.
Em termos absolutos, o crescimento é ainda mais expressivo, o valor adjudicado a empresas nacionais mais do que duplicou, passando de cerca de 358 milhões de dólares em 2022 para aproximadamente 733 milhões em 2025.

Este avanço, segundo o ministro, demonstra um fortalecimento real das capacidades técnicas, financeiras e organizacionais do empresariado angolano, permitindo maior inserção em segmentos críticos da indústria.
O ecossistema empresarial também tem beneficiado de iniciativas estruturantes lideradas pela ANPG, como programas de capacitação e certificação que já envolveram dezenas de empresas. O lançamento do Angola Hub de Transição Energética, em parceria com a Eni, surge como um passo estratégico para melhorar o perfil competitivo, digital e ambiental (ESG) das empresas nacionais, facilitando igualmente o acesso ao financiamento.
No domínio operacional, o sector continua a apresentar indicadores robustos, com mais de 3.200 empresas registadas na base de dados da ANPG, das quais cerca de 1.400 estão certificadas para actuar directamente na indústria.
Paralelamente, a angolanização da força de trabalho evoluiu significativamente, atingindo 87% dos mais de 42 mil trabalhadores no segmento upstream, o que traduz ganhos claros em qualificação e retenção de talento local.
O pipeline de investimento mantém-se igualmente sólido, com destaque para projectos estruturantes como o Kaminho, liderado pela TotalEnergies, que prevê iniciar produção em 2028 com capacidade de cerca de 70 mil barris por dia.
Com investimentos acumulados de cerca de 99 mil milhões de dólares entre 2017 e 2025 e uma previsão superior a 66 mil milhões até 2030, Angola reforça a sua posição como um dos principais polos energéticos de África, abrindo novas oportunidades para empresas nacionais e consolidando o sector como pilar central do crescimento económico.

