O Egito, um dos maiores países árabes, anunciou recentemente um aumento nas tarifas de eletricidade, impactando principalmente residências de alto consumo e usuários comerciais.
A medida, que entrou em vigor em abril de 2026, surge como parte de um conjunto de ações urgentes adotadas pelo governo egípcio para enfrentar a crescente crise energética, exacerbada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.
Segundo o Ministério da Eletricidade, os ajustes nas tarifas atingem principalmente as famílias que consomem mais de 2.000 quilowatts-hora por mês e os estabelecimentos comerciais, que veriam um aumento médio de 20% nas suas contas de eletricidade.
Contudo, famílias de menor consumo continuam isentas do reajuste, refletindo uma tentativa de proteger os segmentos mais vulneráveis da população, enquanto ajustam os preços de acordo com a demanda.
Este aumento das tarifas segue uma série de medidas implementadas pelo governo, que incluem também o fechamento antecipado de estabelecimentos comerciais em horários de pico.
Lojas, shoppings e restaurantes têm seu horário de funcionamento limitado, com fechamento obrigatório às 21h, uma ação adotada desde março deste ano.


O objetivo é reduzir o consumo de energia em um contexto de escassez de derivados de petróleo, impulsionada por tensões internacionais envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã.
A decisão de limitar o horário de funcionamento das lojas visa equilibrar a crescente pressão sobre os recursos energéticos e fiscais do país, minimizando o impacto financeiro sobre a população e permitindo que o governo gerencie melhor os custos da importação de energia.
Este cenário ocorre em meio a uma grave crise econômica, em que o Egito já enfrenta uma inflação elevada e um endividamento crescente.

De acordo com o primeiro-ministro Mostafa Madbouly, o país observou um aumento substancial nas faturas de importação de energia, que mais do que dobraram desde o início do conflito no Golfo.
O pagamento de juros sobre a dívida pública já consome metade dos gastos do governo, enquanto as taxas de inflação continuam elevadas, com um pico de 38% registrado em setembro de 2023.
As reformas implementadas, que incluem o aumento das tarifas de eletricidade e o fechamento de estabelecimentos comerciais, são vistas como medidas necessárias para reduzir o impacto fiscal e garantir a sustentabilidade das finanças públicas em um período de grande instabilidade.
Essa estratégia reflete um esforço de longo prazo para estabilizar a economia egípcia, mesmo com o aumento dos custos globais de energia.

