No México, bancos e empresas financeiras distribuíram milhões de cartões bancários nos últimos anos, numa tentativa de acelerar a digitalização dos pagamentos. No entanto, grande parte desses cartões permanece sem utilização.
Apesar do crescimento do sector de fintech, a população mexicana continua fortemente dependente do dinheiro físico. Em muitos casos, os consumidores até possuem smartphones e acesso a aplicações financeiras, mas preferem não utilizar cartões ou pagamentos digitais.


Mesmo plataformas de transporte e serviços digitais acabaram por adaptar-se a essa realidade, permitindo pagamentos em dinheiro, modalidade que ainda representa mais de metade das transações em alguns serviços.
O país é considerado um dos mercados de tecnologia financeira de crescimento mais rápido da América Latina, com centenas de empresas do sector e forte entrada de investimento. Ainda assim, a adoção prática dos serviços bancários digitais avança de forma desigual.
Dados indicam que mais de metade dos cartões de débito emitidos não são utilizados, enquanto uma parte significativa dos cartões de crédito também permanece inativa. Em muitos casos, esses produtos são distribuídos automaticamente pelos bancos quando o cliente contrata outros serviços.


Apesar disso, o dinheiro em espécie continua a ser dominante no dia a dia da população, representando cerca de 85% das pequenas transações no país, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
A situação revela um contraste entre modernização financeira e hábitos culturais enraizados, mostrando que, mesmo com o avanço tecnológico e o crescimento do setor bancário, a transição para uma economia totalmente digital ainda enfrenta fortes barreiras no México.

