O Ministério das Pescas e Recursos Marinhos lançou, em Hotel Palmeiras, a “Iniciativa para uma Economia Azul Sustentável e Estratégica”, posicionando o sector marítimo como um dos novos motores de crescimento económico e diversificação das exportações. Num contexto de forte dependência do petróleo, o projecto surge como resposta à necessidade de criar fontes alternativas de receita externa, com foco na valorização industrial dos recursos pesqueiros e no aumento da competitividade de Angola nos mercados internacionais.
Desenvolvida em parceria com a União Europeia, FAO, Expertise France e Camões, a iniciativa procura estruturar uma cadeia de valor orientada para exportação, integrando captura, processamento, conservação e distribuição de pescado com padrões internacionais. Este modelo pode permitir a Angola não apenas aumentar volumes exportados, mas também capturar maior valor agregado, reduzindo a exportação de matéria-prima e incentivando a industrialização local.



Na vertente empresarial, o projecto abre espaço para o investimento privado em segmentos como aquicultura, logística portuária, transporte marítimo e indústria transformadora, criando oportunidades para joint ventures, parcerias público-privadas e financiamento internacional. A ministra Carmen dos Santos destacou que a iniciativa pretende dotar o sector de ferramentas técnicas e institucionais que garantam previsibilidade regulatória e sustentabilidade, factores críticos para atrair capital e assegurar retornos consistentes aos investidores.
O desenvolvimento da economia azul poderá ainda reforçar a posição de Angola nas cadeias regionais e globais de abastecimento, especialmente no mercado africano e europeu, onde a procura por produtos do mar processados e certificados tem vindo a crescer. Ao mesmo tempo, a integração de práticas sustentáveis e de adaptação climática aumenta a aceitação internacional dos produtos angolanos, abrindo portas a mercados mais exigentes e com maior poder de compra.
O workshop, que decorre até 18 de Março, funciona como plataforma de alinhamento estratégico entre governo, parceiros internacionais e sector privado, com o objectivo de transformar o potencial marítimo do país em resultados económicos concretos. A médio e longo prazo, a aposta na economia azul poderá traduzir-se em aumento das exportações não petrolíferas, geração de emprego qualificado e maior resiliência da economia angolana face às flutuações dos mercados globais.

