O Dólar dos Estados Unidos voltou a ganhar força nos mercados internacionais, impulsionado pelo aumento da aversão ao risco provocado pela escalada do conflito no Médio Oriente. A moeda norte-americana recuperou rapidamente após uma breve queda das máximas de três meses, consolidando-se como principal activo de refúgio num cenário de elevada incerteza geopolítica e volatilidade nos mercados financeiros globais.
A tensão intensificou-se com a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que já dura vários dias e tem elevado o nível de risco para o comércio energético mundial, sobretudo com receios sobre eventuais interrupções nos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz. A instabilidade levou investidores a procurar liquidez em dólar, pressionando outras moedas internacionais.
No mercado cambial, o Euro caiu cerca de 0,2%, sendo negociado próximo de 1,1608 dólares, enquanto a Libra Esterlina recuou aproximadamente 0,27%, para cerca de 1,3335 dólares. Já o índice US Dollar Index (DXY) subiu para a zona dos 99 pontos, retomando a tendência de valorização e aproximando-se do nível mais elevado em mais de três meses.
O fortalecimento do dólar ocorre num momento em que os preços da energia voltam a subir devido às tensões geopolíticas, alimentando receios de um novo ciclo inflacionário global. Esse cenário tem impacto directo nas expectativas de política monetária dos principais bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, cujo corte de juros esperado pelo mercado perdeu probabilidade nas últimas semanas.


De acordo com estimativas monitorizadas pela ferramenta CME Group (FedWatch), a probabilidade de redução das taxas de juro nos EUA caiu significativamente, reflectindo dados económicos mais fortes e riscos inflacionários associados à energia. Ao mesmo tempo, investidores passaram a antecipar possíveis ajustes de política monetária por parte do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra.
No mercado asiático, o Yuan Chinês recuperou parte das perdas após o Banco Popular da China definir a taxa de referência mais forte em quase três anos. Paralelamente, a China anunciou uma meta de crescimento económico entre 4,5% e 5% para 2026, ligeiramente abaixo do desempenho de cerca de 5% registado no ano anterior, reflectindo uma estratégia mais prudente para equilibrar crescimento e estabilidade financeira.

No segmento de activos digitais, as principais criptomoedas registaram recuo após ganhos recentes. O Bitcoin e o Ethereum caíram mais de 1%, acompanhando a cautela generalizada dos investidores num ambiente marcado por tensões geopolíticas e incertezas macroeconómicas.

