A República Democrática do Congo poderá ascender, em 2026, à quinta maior economia da África Subsaariana, ultrapassando a Etiópia, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). A estimativa aponta para um PIB na ordem dos 123 mil milhões de dólares, refletindo uma trajetória de crescimento sustentado ancorada, sobretudo, na exploração de recursos naturais.
O desempenho económico do país está fortemente ligado ao setor mineiro, com destaque para a produção de cobalto e cobre minerais críticos para cadeias globais de valor ligadas à tecnologia e à transição energética. A crescente procura por baterias, veículos elétricos e infraestruturas energéticas posiciona a RDC como um ator estratégico num mercado em rápida transformação.


Do ponto de vista empresarial, esta evolução reforça o interesse de investidores internacionais no país, especialmente em projetos ligados à mineração, logística e energia. No entanto, o modelo de crescimento baseado em recursos continua a levantar desafios, nomeadamente a volatilidade dos preços das commodities e a necessidade de diversificação económica para garantir sustentabilidade a longo prazo.
Apesar do potencial, persistem riscos estruturais relevantes, incluindo fragilidades institucionais, défices de infraestruturas e desafios de governação que podem limitar a conversão do crescimento económico em desenvolvimento inclusivo. A experiência de outras economias dependentes de recursos sugere que o verdadeiro teste será transformar riqueza mineral em valor económico distribuído.

No plano regional, a ascensão da República Democrática do Congo poderá redefinir equilíbrios económicos na África Subsaariana, reforçando o peso dos países ricos em recursos estratégicos. Ainda assim, a consolidação desta posição dependerá da capacidade do país em melhorar o ambiente de negócios, atrair investimento sustentável e expandir a base produtiva para além do setor extrativo

