A República Democrática do Congo anunciou a proibição de pagamentos em dinheiro vivo em moedas estrangeiras, numa tentativa de recuperar o controlo da política monetária e reduzir a forte dependência do dólar na economia nacional.
A medida, avançada pelo Banco Central do Congo, entra em vigor a 9 de abril de 2027 e determina que cidadãos e empresas deixam de poder realizar ou receber pagamentos em dólares ou outras moedas estrangeiras em numerário. As operações em moeda externa passam a ser permitidas apenas por via electrónica, através do sistema bancário.

O governador André Wameso foi claro ao afirmar: “A partir de 9 de Abril de 2027, ninguém estará autorizado a realizar transações em dinheiro vivo em moeda estrangeira.”
A decisão representa uma tentativa ambiciosa de combater a dolarização crónica da economia, enraizada desde a década de 1990, período marcado por hiperinflação que levou famílias e empresas a adoptarem o dólar como reserva de valor. Actualmente, grande parte das transacções no país ainda é feita em moeda americana.
Apesar de melhorias recentes, o franco congolês continua sob pressão, reflectindo a fraca confiança pública e a volatilidade cambial. Tentativas anteriores de reforçar o uso da moeda nacional tiveram impacto limitado, sobretudo devido à predominância do dinheiro físico na economia informal.

A nova política está também ligada aos esforços do país para sair da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), reforçando os mecanismos de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. A unidade de inteligência financeira CENAREF recebeu, inclusive, poderes adicionais para monitorizar transacções.
No plano económico, o contexto actual oferece algum suporte à medida. O país prevê um crescimento de 6,2% em 2026, impulsionado pelo sector mineiro, especialmente pela produção de cobalto, recurso essencial nas cadeias globais de energia e mobilidade eléctrica.
Ainda assim, persistem desafios estruturais, incluindo a desvalorização cambial e a existência de mercados paralelos. Com mais de 100 milhões de habitantes e um vasto sector informal, a implementação da medida será um teste à capacidade do Estado e à confiança dos cidadãos.
Se for bem-sucedida, a iniciativa poderá reforçar a soberania monetária da RDC. Caso contrário, há o risco de intensificar a informalidade económica, contrariando os objectivos das autoridades.

