A escalada do conflito envolvendo o Irão está a provocar fortes perturbações no transporte marítimo global, com petroleiros danificados, navios encalhados e seguradoras a cancelarem coberturas de risco de guerra na região, informou a Reuters.
O tráfego no Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Irão e Omã por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, praticamente parou depois de vários navios terem sido atingidos durante a retaliação iraniana a ataques dos Estados Unidos e de Israel. Pelo menos um petroleiro encontrava-se em chamas, quatro sofreram danos e cerca de 150 embarcações ficaram retidas na área.

A paralisação e o receio de um bloqueio prolongado fizeram disparar os preços do petróleo e do gás natural europeu. Os futuros do Brent chegaram a subir até 13%, refletindo o risco de múltiplas interrupções na produção e no escoamento de energia no Médio Oriente.
Dados de navegação indicam que dezenas de petroleiros de crude e gás natural liquefeito estão concentrados ao largo das costas do Iraque, Arábia Saudita e Qatar, enquanto cerca de 10% dos navios porta-contentores do mundo enfrentam congestionamentos na rota, com impactos potenciais na Europa e na Ásia.
Entre os incidentes reportados estão ataques com drones e projéteis a vários petroleiros de diferentes bandeiras, resultando em pelo menos duas mortes. O comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que qualquer embarcação que tente atravessar o estreito poderá ser alvo de ataque, segundo meios de comunicação locais.
Perante o agravamento do risco, grandes seguradoras marítimas internacionais anunciaram o cancelamento da cobertura de risco de guerra para embarcações na região, com efeitos a partir de 5 de março. A decisão obriga armadores a procurar novas apólices, agora a preços significativamente mais elevados. Os prémios de risco de guerra subiram de cerca de 0,2% para até 1% do valor dos navios em apenas 48 horas, acrescentando centenas de milhares de dólares por viagem.

Analistas ouvidos pela Reuters consideram que o mercado está a reagir como se o Estreito de Ormuz estivesse, na prática, fechado, ainda que não exista um bloqueio formal declarado. O resultado imediato é a escalada dos custos de transporte de petróleo do Médio Oriente para a Ásia, que já se encontravam nos níveis mais altos dos últimos seis anos.
A crise expõe mais uma vez a vulnerabilidade das cadeias globais de energia a tensões geopolíticas numa das regiões mais sensíveis do mundo.

