O reforço do “Projecto Social Imbondeiro” na província de Icolo e Bengo sinaliza uma tentativa do Executivo de transformar iniciativas comunitárias em ativos económicos sustentáveis, com impacto direto na geração de rendimento local e na segurança alimentar. A visita da ministra Carmen dos Santos à Lagoa da Kilunda evidencia um crescente interesse institucional em estruturar a pesca continental como segmento produtivo com potencial de escala.
Lançado em 2025 sob coordenação do governador Auzilio de Oliveira Martins Jacob, o projeto tem como foco o apoio direto às comunidades, mas começa agora a ganhar relevância numa ótica mais ampla de economia local. A pesca artesanal, quando organizada em moldes semi-industriais, pode evoluir para uma cadeia de valor que inclui processamento, conservação e distribuição, abrindo espaço para microinvestimentos e empreendedorismo rural.



Do ponto de vista económico, iniciativas como esta reduzem a pressão sobre importações de pescado, ao mesmo tempo que criam fluxos de rendimento em zonas periféricas. No entanto, o verdadeiro valor do projeto dependerá da sua capacidade de transição de um modelo assistencial para um modelo produtivo e financeiramente sustentável, com acesso a mercados e integração logística.
A promessa de apoio governamental à sustentabilidade da atividade levanta também questões sobre financiamento, capacitação técnica e regulação ambiental. Sem mecanismos claros de gestão de recursos hídricos e controlo de captura, há risco de esgotamento dos ecossistemas, o que comprometeria a viabilidade económica de médio prazo um factor crítico para qualquer investidor ou parceiro institucional.

Num contexto de diversificação económica em Angola, o “Projecto Imbondeiro” pode tornar-se um piloto relevante para a estruturação da pesca continental como setor de negócios inclusivo. O desafio estará em escalar a iniciativa, garantir eficiência produtiva e atrair investimento que permita transformar impacto social em retorno económico mensurável.

