A Coinbase anunciou uma parceria estratégica com a Better Home & Finance para permitir que compradores utilizem criptomoedas como garantia no pagamento da entrada de imóveis, marcando um avanço significativo na integração entre activos digitais e o sector imobiliário.
A proposta permite que compradores utilizem activos como Bitcoin e USD Coin como colateral para obter empréstimos destinados à entrada de imóveis, sem necessidade de liquidar esses activos. O financiamento será complementar à hipoteca tradicional, permitindo maior flexibilidade financeira.
Segundo as empresas, este modelo pode facilitar o acesso à casa própria, especialmente para investidores que concentram parte significativa do seu património em criptomoedas.
Ao evitar a venda imediata de criptomoedas, os compradores podem manter exposição ao potencial de valorização destes activos, além de adiar encargos fiscais. No entanto, o modelo também introduz maior complexidade financeira, uma vez que implica assumir um segundo compromisso de crédito.


“Este produto foi concebido para funcionar dentro das salvaguardas do sistema hipotecário existente, incluindo a forma como o risco, como a volatilidade dos ativos, é gerido”, afirmou Kara Calvert, responsável de políticas da Coinbase.
Especialistas alertam que a solução pode aumentar o nível de alavancagem numa das decisões financeiras mais importantes para os consumidores. Na prática, os compradores passam a depender da estabilidade e valorização das criptomoedas para justificar a estratégia.
O contexto actual do mercado imobiliário, marcado por juros elevados, preços altos e oferta limitada, tem dificultado o acesso à habitação, elevando a idade média dos compradores.
Regulação e expansão impulsionam adopção
A iniciativa surge num momento em que os Estados Unidos têm vindo a flexibilizar a regulação sobre activos digitais, incentivando a sua integração em produtos financeiros tradicionais. A Coinbase afirma que o modelo segue as mesmas regras e protecções das hipotecas convencionais, sem impacto directo nas taxas de juro ou chamadas de margem.
Com esta iniciativa, o sector financeiro dá mais um passo na convergência entre economia digital e mercados tradicionais, abrindo novas oportunidades e desafios para investidores e compradores de imóveis.

