Pelo menos 23 pessoas morreram neste sábado após fortes chuvas provocarem inundações repentinas em Nairobi, capital do Quênia, segundo autoridades locais. As enxurradas começaram durante a madrugada e arrastaram dezenas de veículos, além de causar interrupções nos voos do principal aeroporto da África Oriental. Equipas de ajuda humanitária e serviços de emergência mobilizaram-se para retirar corpos das águas e procurar sobreviventes nas zonas mais afetadas.
O presidente queniano, William Ruto, anunciou o envio de equipas de resposta a emergências, incluindo militares, para coordenar operações de resgate e assistência às comunidades atingidas. O chefe de Estado também determinou a libertação imediata de alimentos das reservas estratégicas nacionais para apoiar as famílias afetadas pelas inundações, expressando condolências às vítimas.


Na zona industrial de Grogan, uma das áreas mais atingidas, testemunhas relataram cenas de destruição após o transbordamento do rio Nairobi. Um segurança local contou que viu um vendedor ambulante de ovos ser arrastado pela correnteza durante a madrugada, sendo posteriormente encontrado preso debaixo de um carro arrastado pela água. Equipas de resgate retiraram vários corpos que ficaram soterrados entre veículos e destroços.
O impacto das chuvas também afetou o transporte e a infraestrutura da cidade. A companhia aérea Kenya Airways informou que vários voos para Nairobi foram interrompidos ou desviados para Mombasa, na costa do país. Ao mesmo tempo, a empresa de eletricidade Kenya Power relatou danos em equipamentos de uma subestação, deixando pelo menos 14 bairros sem energia elétrica.

Especialistas alertam que fenómenos climáticos extremos têm-se tornado mais frequentes na África Oriental. Estudos científicos indicam que as mudanças climáticas estão a intensificar o ciclo de secas e chuvas intensas na região, concentrando precipitações em períodos curtos e violentos. Um estudo de 2024 da organização World Weather Attribution concluiu que as alterações climáticas tornaram episódios de chuva devastadora na região cerca de duas vezes mais prováveis do que no passado.

