O município do Chinguar, na província do Bié, está a afirmar-se como o novo centro estratégico da produção de trigo em Angola, no âmbito do Programa Nacional de Massificação do Cereal, com impacto directo na economia agrícola e na redução da dependência externa.
Com 24 hectares preparados para uma produção estimada em 30 toneladas, o projecto envolve actualmente 61 famílias, reforçando a inclusão produtiva e a geração de rendimento no meio rural. A iniciativa é vista como uma alternativa sustentável para reduzir as importações de farinha de trigo e fortalecer a economia local.

A médio prazo, o programa prevê atingir cerca de 11 mil toneladas até 2030 apenas no Chinguar, posicionando o município como referência nacional na produção cerealífera.
Incentivos públicos aceleram crescimento do sector agrícola
O programa conta com apoio directo do Ministério da Agricultura e Florestas, que tem assegurado insumos e equipamentos para os produtores. Durante visita à região, o ministro Isaac Maria dos Anjos reforçou o compromisso do Executivo com a expansão da cultura do trigo em várias regiões agrícolas.
Para impulsionar a produção, o Governo anunciou o envio de mais de duas mil toneladas de fertilizantes, com um modelo de financiamento partilhado entre o Estado e os camponeses.


Não haverá mais o chamado ‘período de graça’ na aquisição dos fertilizantes. O Governo irá conceder um período de graça para que os camponeses tenham acesso ao produto, a preço de referência, que vai dos 35 aos 37 mil kwanzas por cada unidade de 50 quilogramas”, afirmou.
Segundo o coordenador do programa, Rodrigues Cabinda, a produção de trigo já se estende a várias províncias, incluindo Huambo, Cuanza-Sul, Huíla, Namibe e Cunene, envolvendo mais de seis mil famílias.
A expectativa é que Angola ultrapasse as duas mil toneladas de produção anual, consolidando o trigo como uma das principais culturas agrícolas do país.
Impacto económico reforça segurança alimentar e oportunidades de negócio
A expansão da produção de trigo representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento da agroindústria, redução das importações e fortalecimento da segurança alimentar.
Com o aumento da produção e organização do sector, o país abre espaço para novos investimentos na transformação, distribuição e comercialização do cereal, consolidando o trigo como activo relevante na diversificação económica nacional.

