A China e a Índia estão a assumir protagonismo global na nova economia do hidrogénio verde, num momento em que o Ocidente recua perante desafios de custos e financiamento.
Pequim já canaliza milhares de milhões de dólares para projetos industriais de larga escala, como o complexo de Chifeng, avaliado em 2 mil milhões de dólares, enquanto Nova Délhi acelera com subsídios de 2,1 mil milhões e metas agressivas de produção.
Este reposicionamento cria um novo eixo de competitividade global, onde escala, intervenção estatal e integração industrial se tornam determinantes para reduzir custos e viabilizar mercados ainda emergentes.


Na China, a estratégia combina velocidade de execução e domínio tecnológico, com investimentos superiores a 3,7 mil milhões de dólares apenas no último ano, posicionando o país como líder na capacidade instalada e na cadeia de valor do hidrogénio.
Empresas como a Envision Energy lideram projetos que integram energia eólica, produção de hidrogénio e exportação de amónia verde para mercados internacionais, reforçando receitas e influência geoeconómica.
Com custos que podem cair para cerca de 2 dólares por quilograma em regiões com abundância de vento e sol, o país aproxima-se da paridade com combustíveis fósseis, criando uma vantagem competitiva estrutural e atraindo capital global para projetos de longo prazo.
Já a Índia aposta na criação de procura interna e segurança energética, reduzindo a dependência de importações de gás e transformando o hidrogénio num ativo estratégico nacional.

Com o envolvimento de gigantes industriais como a Bharat Petroleum Corporation Limited, GAIL e JSW Steel, o país estrutura contratos de longo prazo e leilões competitivos para garantir viabilidade financeira desde a origem.
A meta de atingir 5 milhões de toneladas anuais até 2030 poderá reposicionar a Índia como exportadora relevante, ao mesmo tempo que reduz custos industriais e impulsiona cadeias de valor locais.
Em conjunto, os dois mercados demonstram que a energia limpa deixou de ser apenas uma agenda ambiental para se tornar uma alavanca estratégica de crescimento económico, competitividade industrial e atração de investimento.

