ara 40% a participação estatal na mina de ouro de Kiaka, num movimento que reforça a estratégia governamental de aumentar o controlo sobre activos estratégicos num dos sectores mais rentáveis da economia nacional.
A decisão surge num momento sensível para a empresa, que projecta produzir entre 430 mil e 490 mil onças de ouro em 2026, impulsionada pelo primeiro ano completo de operação da mina de Kiaka e pelo desempenho da unidade de Sanbrado. O potencial aumento da presença estatal coincide, portanto, com a fase de maior geração de caixa esperada para o projecto.

Face ao anúncio, a West African Resources solicitou a suspensão temporária da negociação das suas ações na Bolsa de Valores da Austrália, enquanto os investidores aguardam esclarecimentos sobre o impacto do decreto e o novo enquadramento accionista. O mercado interpreta a medida como um factor de risco regulatório relevante para os accionistas privados.
A mina de Kiaka, localizada na região Centro-Leste de Burkina Faso e com cerca de 54 quilómetros quadrados, iniciou produção em junho de 2025. Actualmente, a empresa australiana controla 85% do activo, enquanto o Estado detém 15%. A eventual subida para 40% alteraria substancialmente a estrutura de propriedade e a distribuição futura de dividendos.
O governo liderado pelo Capitão Ibrahim Traoré tem adoptado uma política mais assertiva no sector mineiro desde a reforma legal de 2024. O objectivo passa por capturar uma parcela maior das receitas geradas pelo ouro, principal motor das exportações do país, num contexto de crescente pressão fiscal e necessidade de financiamento interno.


Apesar da incerteza política, os fundamentos operacionais permanecem robustos. Apenas Kiaka deverá produzir entre 240 mil e 280 mil onças em 2026, consolidando-se como uma das principais minas industriais da África Ocidental. A empresa estima ainda custos totais inferiores a US$ 1.900 por onça, o que sugere margens competitivas mesmo em cenários de volatilidade do preço do metal.
Para Burkina Faso, o movimento pode aumentar receitas públicas e influência estratégica sobre recursos naturais. Para investidores internacionais, porém, o caso reacende o debate sobre previsibilidade regulatória em mercados africanos ricos em matérias-primas, onde governos procuram equilibrar atração de capital externo e soberania económica.

