O governo brasileiro prepara o anúncio de novas medidas para reduzir o endividamento das famílias, dando continuidade ao programa Novo Desenrola Brasil.
A iniciativa surge num contexto de pressão fiscal, com a fraca arrecadação do imposto sobre dividendos a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade das políticas públicas de apoio ao consumo, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de mecanismos estruturados de mitigação de risco financeiro no sistema económico.
Na ótica do mercado de seguros, o programa funciona como uma forma de gestão pública do risco de credito familiar, aproximando-se de modelos de proteção típicos de seguros de crédito e de renda.


Ao permitir renegociação de dívidas com juros até 1,99%, descontos entre 30% e 90% e prazos alargados, o governo atua como um absorvedor de risco semelhante a uma apólice coletiva, reduzindo a probabilidade de incumprimento em massa e protegendo bancos, instituições financeiras e a estabilidade do consumo interno.
O acesso parcial ao FGTS reforça esse mecanismo ao funcionar como uma reserva de liquidez semelhante a um fundo de cobertura.


A medida também introduz elementos de controlo comportamental e mitigação de risco moral, ao restringir por um ano o acesso a plataformas de apostas online para participantes do programa, fator frequentemente associado ao agravamento do endividamento.
Analistas do setor indicam que, embora a iniciativa possa reduzir sinistralidade financeira no curto prazo, ela também redefine a fronteira entre política pública e instrumentos típicos do mercado de seguros, pressionando seguradoras de crédito e instituições financeiras a recalibrar modelos de risco num ambiente de maior intervenção estatal.

