Os mercados financeiros da Coreia do Sul registaram uma das maiores quedas das últimas décadas, com o índice KOSPI a recuar cerca de 4,3% numa única sessão e a acumular uma desvalorização próxima de 19,9% desde o pico recente. O movimento coloca o mercado sul-coreano sob forte pressão, num contexto de elevada aversão global ao risco.
A queda acentuada foi acompanhada por uma forte desvalorização da moeda local, o won, que atingiu mínimos não vistos desde crises anteriores, chegando a níveis inferiores a 1.500 por dólar. Este cenário reflete a saída acelerada de capitais estrangeiros e o aumento da volatilidade nos mercados cambiais.
O setor tecnológico foi um dos mais afetados, com destaque para empresas como a Samsung Electronics e a SK Hynix, que registaram quedas superiores a 5% e 7% numa única sessão, acumulando perdas superiores a 20% no mês.


A pressão vendedora foi intensificada pela saída massiva de investidores estrangeiros, que retiraram cerca de 35,9 trilhões de won (aproximadamente 23,5 mil milhões de dólares) do mercado sul-coreano num curto período, segundo dados de mercado. Este movimento é considerado o maior fluxo de saída já registado no país.
Analistas de instituições como o JPMorgan Chase e o Goldman Sachs apontam que a correção está associada a uma redução global do apetite ao risco, agravada por tensões geopolíticas e incertezas económicas internacionais, incluindo o impacto da guerra no Oriente Médio.
Apesar da forte queda recente, o mercado ainda mantém ganhos acumulados no ano, o que indica que parte do movimento atual representa uma correção após um período de valorização. No entanto, especialistas alertam que a continuidade da fuga de capitais poderá prolongar a pressão sobre o mercado e a moeda sul-coreana.

