Os principais bancos centrais globais adoptaram um tom mais agressivo na condução da política monetária, à medida que a escalada do conflito envolvendo o Irã volta a pressionar os preços da energia e reacende os riscos inflacionários à escala mundial.
O Federal Reserve, o Banco do Canadá e o Banco do Japão optaram por manter as taxas de juro inalteradas nas suas mais recentes reuniões, mas deixaram claro que permanecem em alerta face ao impacto do aumento dos custos energéticos sobre a inflação.
Num contexto ainda marcado pelas lições da crise inflacionária desencadeada pela Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os decisores enfrentam novamente o desafio de equilibrar o controlo dos preços com a necessidade de preservar o crescimento económico.
Alta dos preços da energia trava cortes de juros e aumenta cautela

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alertou que a subida dos preços da energia deverá pressionar a inflação no curto prazo, sublinhando, no entanto, que ainda é cedo para avaliar a magnitude e duração dos impactos económicos. A postura cautelosa do banco central norte-americano contribuiu para adiar expectativas de cortes nas taxas de juro para 2027.
Na mesma linha, o governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, garantiu que a instituição não permitirá que o aumento dos preços da energia se transforme numa inflação persistente, mesmo mantendo, para já, a taxa directora estável em 2,25%.
Já o Banco do Japão sinalizou a possibilidade de subida de juros no curto prazo. O governador Kazuo Ueda destacou que o actual contexto pode levar empresas a repassar custos de forma mais agressiva, numa fase em que salários e preços já apresentam tendência de crescimento.
Em contraste, o Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de alívio monetário, reduzindo a taxa de juro em 25 pontos-base, embora ainda permaneça entre as mais elevadas das principais economias.
Conflito com o Irã reacende temor de estagflação na economia mundial

O cenário global agravou-se com a recente escalada do conflito envolvendo Irã, que impulsionou os preços do petróleo e aumentou a volatilidade nos mercados financeiros, levando à queda das bolsas e ao reforço das incertezas económicas.
Analistas alertam que o mundo pode estar a caminhar para um novo ciclo de estagflação, caracterizado por crescimento económico fraco combinado com inflação elevada, à medida que os choques energéticos afectam cadeias de abastecimento, confiança empresarial e estabilidade dos mercados.
O endurecimento do discurso dos bancos centrais indica que os cortes nas taxas de juro poderão demorar mais do que o esperado, com implicações directas no custo do crédito, investimento e consumo global.
A persistência de preços elevados da energia, associada à instabilidade geopolítica, reforça o risco de abrandamento económico mundial, podendo afectar economias dependentes de importações de combustíveis, como Angola, e pressionar ainda mais o custo de vida das famílias.

