O Banco Mundial vai financiar com 60 milhões de dólares o projecto de modernização e digitalização do Instituto Nacional de Estatística (INE), numa iniciativa que visa reforçar a capacidade de produção e gestão de dados estatísticos em Angola.
A informação foi avançada pelo director-geral do INE, Joel Futi, em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, onde explicou que o projecto está estruturado em três componentes essenciais, com foco na modernização institucional e no fortalecimento do sistema estatístico nacional.

Entre as prioridades está a melhoria dos processos de recolha, tratamento e divulgação de dados, com recurso a soluções digitais e maior integração com padrões internacionais.
Neste âmbito, o responsável destacou a participação regular do INE em seminários promovidos por organizações como o Fundo Monetário Internacional, a União Africana e a Organização Internacional do Trabalho, reforçando a capacitação técnica da instituição.
Para 2026, uma das metas centrais é a conclusão do Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA), prevista para agosto, considerado fundamental para a actualização dos indicadores socioeconómicos do país.
Relativamente ao Censo 2024 Angola, o INE mobilizou cerca de 110 mil milhões de kwanzas, equivalente a mais de 100 milhões de dólares, numa das maiores operações estatísticas já realizadas no país.
Outro avanço destacado é a adequação de Angola aos padrões internacionais de medição do emprego, alinhando-se com as recomendações da Organização Internacional do Trabalho, bem como a publicação de dados do Produto Interno Bruto por províncias.
Acessibilidade e nova estratégia de divulgação de dados

O INE pretende ainda melhorar o acesso público à informação estatística, estando em negociações com o Instituto Angolano das Comunicações (INACOM) para integrar operadores de telefonia móvel na estratégia de disseminação de dados.
A proposta prevê o envio de informações via SMS e links digitais, permitindo que cidadãos acedam a conteúdos estatísticos através de telemóveis e outros dispositivos com acesso à internet.
Paralelamente, o novo Estatuto Orgânico do INE, aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 43/26, de 10 de março, introduz mudanças estruturais na gestão da instituição, substituindo a Direcção-Geral por um Conselho de Administração.
O novo órgão será composto por um presidente e dois administradores, além de integrar um Conselho Técnico e um Conselho Fiscal, reforçando a independência técnica, a transparência e a imparcialidade da instituição.
A tutela do INE continuará a ser exercida pelo Titular do Poder Executivo, através do Ministério do Planeamento, garantindo o enquadramento institucional das actividades estatísticas oficiais.
Fontes da instituição indicam que ainda não há data definida para a nomeação do primeiro Conselho de Administração, mas o processo deverá ocorrer em breve.
O financiamento do Banco Mundial representa um passo estratégico para o fortalecimento do sistema estatístico nacional, essencial para a formulação de políticas públicas eficazes e para a atracção de investimento. A modernização do INE poderá melhorar a qualidade e credibilidade dos dados económicos de Angola, contribuindo para maior transparência, planeamento e desenvolvimento sustentável do país.

