O Banco Central de Uganda iniciou oficialmente a compra de ouro produzido no mercado interno, marcando uma nova fase na estratégia de diversificação das reservas cambiais do país, num contexto global de maior procura por activos considerados de segurança.
Segundo a autoridade monetária, a primeira aquisição foi realizada na sexta-feira passada, no âmbito de um programa piloto com duração prevista de três anos. O banco não divulgou os volumes ou valores envolvidos na operação inicial.

O programa tem como objectivo integrar o ouro nacional nas reservas internacionais de Uganda, reduzindo a dependência de instrumentos financeiros tradicionais e aumentando a resiliência do sistema cambial face a choques externos e volatilidade dos mercados globais.
A iniciativa representa uma mudança estratégica na gestão de reservas, aproximando Uganda de uma tendência observada em outros bancos centrais africanos, como os do Quénia e da República Democrática do Congo, que também têm vindo a reforçar a exposição ao ouro como activo de reserva.
O Banco de Uganda destaca que a medida visa fortalecer a adequação das reservas cambiais e reduzir riscos associados a activos convencionais, ao mesmo tempo que incentiva a formalização da cadeia de produção interna de ouro, ainda dominada por garimpeiros independentes.


Nos últimos anos, Uganda consolidou-se como um importante centro regional de processamento e comércio de ouro. Em 2025, o país registou exportações no valor de cerca de 5,8 mil milhões de dólares, um crescimento significativo impulsionado pela actividade do sector, apesar de a produção interna ainda depender fortemente da mineração artesanal.
Analistas consideram que a entrada do banco central no mercado pode aumentar a transparência da cadeia de valor do ouro, mas também levanta desafios operacionais relacionados com rastreabilidade, preços de aquisição e integração dos pequenos produtores no sistema formal.
A longo prazo, a medida poderá reforçar a estabilidade macroeconómica do país e reposicionar o ouro como um activo estratégico dentro da política monetária ugandesa, num cenário de crescente competição global por activos de reserva.
