O Banco Central da Nigéria concluiu a maior recapitalização do sistema bancário em mais de duas décadas, com 33 bancos a captarem cerca de 2,95 mil milhões de dólares em novo capital, reforçando a base financeira do setor e criando condições para maior estabilidade económica.
Apesar da magnitude do processo, o regulador não considera a etapa concluída como um ponto final, mas sim o início de uma nova fase focada na gestão eficiente desse capital. O foco agora está na disciplina financeira e no controlo rigoroso dos riscos de crédito.
A decisão do banco central é influenciada por experiências passadas, nomeadamente a recapitalização de 2005, que acabou por gerar uma onda de empréstimos imprudentes e crises no setor. Desta vez, o objetivo é evitar a repetição desse ciclo, reforçando mecanismos de supervisão e governança.
Para isso, o regulador está a reformular toda a estrutura de risco de crédito, com maior exigência na concessão de empréstimos, aumento da transparência e responsabilização das instituições financeiras. A meta é garantir que o novo capital seja aplicado de forma sustentável.

Do ponto de vista estrutural, o processo de recapitalização superou amplamente o exercício anterior, sendo mais de dez vezes maior. Os requisitos de capital foram definidos de acordo com o tipo de licença bancária, elevando o nível de exigência para bancos internacionais, nacionais e regionais.
O financiamento foi liderado maioritariamente por investidores nacionais, responsáveis por mais de 70% do capital mobilizado, enquanto investidores estrangeiros contribuíram com cerca de 27%, sinalizando confiança moderada no sistema financeiro nigeriano.
Alguns bancos, como o Union Bank of Nigeria e o Polaris Bank, não cumpriram totalmente os requisitos dentro do prazo, mas continuam em operação sob supervisão, garantindo a proteção dos depositantes e a estabilidade do sistema.
Com a ambição de transformar a Nigéria numa economia de 1 trilhão de dólares até 2030, o fortalecimento do sistema bancário torna-se essencial. No entanto, especialistas alertam que o verdadeiro desafio será garantir que o capital mobilizado seja utilizado com prudência, sustentando o crescimento sem gerar novos riscos sistémicos.

