O setor imobiliário dos Emirados Árabes Unidos enfrenta o seu primeiro grande teste após os ataques com mísseis iranianos, que abalaram a reputação de estabilidade da região e expuseram a dependência do país de investimentos estrangeiros para sustentar o ritmo de construção.
Os ataques atingiram aeroportos, portos e áreas residenciais em Dubai e Abu Dhabi, impactando diretamente a confiança de investidores. Construtoras que antes vendiam imóveis na planta em poucas horas agora enfrentam uma queda significativa na demanda. De acordo com a consultoria Betterhomes, 65% das transações em Dubai em 2025 referiam-se a imóveis ainda em construção, um mercado que agora pode enfrentar competição mais acirrada, com compradores estrangeiros sendo decisivos.
Na quarta-feira, ações de incorporadoras como Aldar Properties, em Abu Dhabi, e Emaar Properties, responsável pelo centro de Dubai e pelo Burj Khalifa, caíram cerca de 5%. O mercado de títulos, canal crucial de financiamento para construtoras, também apresentou queda, dificultando novas emissões.

Apesar da desaceleração, o horizonte urbano de Dubai e Abu Dhabi continua marcado por ambiciosos projetos de construção, como a Palm Jumeirah e a Palm Jebel Ali, além de expansões residenciais impulsionadas por reformas econômicas, isenção de impostos e atração de investidores internacionais. Entre 2022 e o primeiro trimestre de 2025, os preços dos imóveis em Dubai subiram 60%, enquanto em Abu Dhabi houve valorização de quase 32%.

Especialistas alertam que o verdadeiro impacto será sentido conforme a demanda estrangeira se estabilize após o conflito. “O interesse estrangeiro na compra de imóveis será crucial”, afirmam economistas do Abu Dhabi Commercial Bank, destacando que expatriados e compradores não residentes sustentam grande parte do mercado.
O setor imobiliário, tradicionalmente dependente de estabilidade e confiança, agora enfrenta um cenário de incerteza geopolítica, testando a resiliência de um mercado que cresceu aceleradamente nas últimas décadas.

