Angola precisa triplicar a produção de milho para alcançar segurança alimentar plena e criar reservas estratégicas do cereal, afirmou o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante um encontro com industriais e produtores realizado na Zona Económica Especial Luanda‑Bengo.
O governante explicou que o objetivo do encontro foi compreender as dificuldades enfrentadas pelo sector e identificar oportunidades para aumentar a produção nacional do principal cereal consumido no país.
Segundo o responsável, a campanha agrícola 2024-2025 registou resultados positivos, com uma produção superior a 3,6 milhões de toneladas de milho. Apesar desse crescimento, Angola teve de importar cerca de 350 mil toneladas, num valor aproximado de 123 milhões de dólares, para suprir as necessidades internas.
De acordo com José de Lima Massano, uma das dificuldades persistentes está na ligação entre produtores agrícolas e indústria transformadora, situação que por vezes leva à autorização de importações para garantir o funcionamento das fábricas, mesmo quando existe produção disponível no mercado nacional.

O ministro destacou ainda que a procura por milho continua a crescer no país, uma vez que o cereal é utilizado tanto na alimentação humana como na produção de ração animal, acompanhando a expansão da economia e do sector pecuário.
Para ultrapassar este desafio, o Executivo defende um diálogo mais próximo entre produtores e industriais, permitindo uma melhor coordenação entre oferta e procura. Segundo o governante, os agricultores precisam de garantia de mercado para a sua produção, enquanto a indústria necessita de assegurar o abastecimento regular da matéria-prima.
Apesar do aumento do número de operadores e da expansão das áreas de cultivo, o responsável alertou que as condições climáticas podem afectar as expectativas de crescimento da produção, uma vez que as chuvas registadas na actual campanha têm sido inferiores às verificadas em anos anteriores.


Perante esse cenário, o Executivo pretende reforçar o apoio aos produtores, sobretudo através da expansão dos sistemas de irrigação, considerados essenciais para aumentar a produtividade e reduzir a dependência das chuvas.
Dados apresentados pelo governante indicam que apenas cerca de 4% das áreas agrícolas de Angola possuem sistemas de irrigação, o que revela uma ampla margem de crescimento para o sector.
Segundo José de Lima Massano, o reforço da irrigação e a melhoria da ligação entre produtores e indústria serão determinantes para garantir maior estabilidade na produção agrícola e fortalecer a segurança alimentar no país.

