As exportações de petróleo, combustíveis e gás de Angola recuaram 11,23% em fevereiro de 2026, totalizando 1,96 biliões de kwanzas, face aos 2,20 biliões registados no mesmo período de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. A quebra reflete a exposição estrutural do país à volatilidade do mercado petrolífero, num contexto em que o crude continua a ser o principal motor das exportações nacionais.
Apesar da queda homóloga, os dados mostram uma recuperação mensal de 2,79% face a janeiro, quando o setor gerou 1,90 biliões de kwanzas. Ainda assim, o petróleo mantém um peso superior a 92% na estrutura exportadora, evidenciando uma dependência persistente que limita a diversificação económica e amplifica os riscos externos sobre as contas públicas e a balança comercial.


No plano internacional, o comportamento dos preços também condicionou o desempenho. O Brent crude oil foi negociado em média a 70,89 dólares por barril em fevereiro de 2026, abaixo de níveis historicamente mais elevados e pressionado por dinâmicas geopolíticas, incluindo tensões no Médio Oriente. Ainda que acima da média anual de 2025, o preço ficou aquém do esperado para um cenário de instabilidade, reduzindo o potencial de receitas externas.
Do lado das importações, o mesmo grupo de produtos atingiu 206,6 mil milhões de kwanzas, representando 18,59% das compras externas totais. O aumento homólogo de 17,05% sugere maior necessidade interna de combustíveis e derivados, ao mesmo tempo que a queda mensal de 3,92% indica alguma correção pontual na procura ou nos preços internacionais.

No balanço económico, os dados reforçam a urgência de acelerar a diversificação da economia angolana. Embora o setor petrolífero continue a gerar receitas significativas, a combinação de queda anual nas exportações, volatilidade de preços e aumento das importações evidencia vulnerabilidades estruturais. A médio prazo, ganhos sustentáveis dependerão da capacidade de reduzir a dependência do crude, fortalecer setores não petrolíferos e melhorar a resiliência macroeconómica.

