A primeira refinaria de ouro de Angola deverá entrar em operação ainda no primeiro semestre de 2026, marcando um avanço estratégico no processo de industrialização do setor mineiro. Localizada no município de Viana, em Luanda, a unidade terá capacidade para processar cerca de 20 quilogramas de ouro por dia, segundo o diretor nacional dos Recursos Minerais, Paulo Tanganha.
De acordo com o responsável, a fase de construção civil e apetrechamento da infraestrutura já foi concluída, estando atualmente em curso os trabalhos de comissionamento e ajustes técnicos. A expectativa é que o início das operações contribua para dinamizar a cadeia de valor do ouro no país, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima em bruto.
O arranque da refinaria surge num contexto em que o aumento da produção de ouro se torna um dos principais desafios do subsector mineiro, com vista a garantir o abastecimento da nova unidade e reforçar a estratégia de diversificação económica. O projeto é visto como peça-chave para agregar valor aos recursos naturais e fortalecer a indústria nacional.


Segundo Paulo Tanganha, o setor mineiro tem registado desempenho positivo no âmbito do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, com destaque para a produção de cerca de 15 milhões de quilates de diamantes em 2025, superando o Botswana. Apesar da queda dos preços no mercado internacional, o país mantém níveis elevados de produção, apostando em estratégias internas para assegurar a sustentabilidade do setor.
Atualmente, o subsector mineiro representa cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), com impacto mais amplo quando combinado com petróleo e gás, ultrapassando 30% da economia nacional. Com mais de 50 mil empregos diretos e 60 licenças mineiras ativas, Angola aposta na diversificação da produção — incluindo ferro, cobre, nióbio e manganês — e prevê iniciar a exploração de fosfatos e terras raras a partir de 2027, consolidando o seu potencial como polo mineiro regional.

