A realização da 75.ª Conferência da ACI África posiciona Angola como um actor relevante na redefinição do mercado aéreo africano, num momento em que o continente enfrenta limitações estruturais de conectividade e integração. O evento transformou-se num espaço de pressão política e económica, com o Executivo angolano a defender medidas concretas para ultrapassar a fragmentação do sector e desbloquear o potencial de crescimento da aviação como motor de desenvolvimento.
Durante a abertura, José de Lima Massano destacou que a estabilidade macroeconómica e a diversificação da economia angolana dependem, em parte, de um sector aéreo eficiente e integrado. Para o Governo, a aviação civil é vista como uma infraestrutura estratégica capaz de impulsionar o comércio, atrair investimento estrangeiro e melhorar a ligação entre mercados africanos e globais, criando novas oportunidades de negócios.

Já Ricardo Viegas D’Abreu trouxe uma leitura crítica do mercado, ao sublinhar que África, apesar de representar cerca de 18% da população mundial, concentra menos de 3% do tráfego aéreo global. Este desequilíbrio evidencia falhas estruturais e regulatórias que limitam a escala e a competitividade do sector, reforçando a necessidade de implementação efectiva do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo como instrumento para gerar eficiência, reduzir custos operacionais e aumentar a atratividade para investidores.
Do ponto de vista empresarial, a integração do mercado aéreo africano abre espaço para expansão de companhias aéreas, crescimento de hubs logísticos e desenvolvimento de cadeias de valor associadas ao turismo, comércio e transporte de carga. Angola procura posicionar-se como hub regional, apoiando-se em investimentos em infraestruturas aeroportuárias e corredores logísticos que podem fortalecer a sua ligação com a Europa, Médio Oriente e Américas, ampliando o seu papel no comércio internacional.
A conferência, que reúne representantes de dezenas de países e empresas do sector, reforça a importância da ACI África como plataforma de coordenação e influência estratégica. No entanto, o sucesso das ambições discutidas dependerá da capacidade dos países africanos de alinharem políticas, mobilizarem financiamento e reduzirem barreiras regulatórias, transformando o actual discurso político em resultados concretos que impulsionem a competitividade e a sustentabilidade do mercado aéreo no continente.

