O Angola desembolsou cerca de 78,9 milhões de dólares na importação de medicamentos nos primeiros três meses de 2026, segundo dados do PRODESI divulgados pela Administração Geral Tributária. O montante representa 14,38% dos mais de 548,3 milhões de dólares gastos em bens importados no período, evidenciando o peso crescente do setor farmacêutico na estrutura de saída de divisas.
Do ponto de vista financeiro, os medicamentos consolidaram-se como o segundo maior item da fatura de importação, refletindo não apenas a pressão sobre o sistema de saúde, mas também a limitada capacidade de produção nacional. Para investidores e analistas, este padrão indica uma oportunidade clara de substituição de importações, num mercado com procura estrutural elevada e crescente.


A evolução mensal dos dados revela uma tendência ascendente nos custos, mesmo com variações no volume importado. Enquanto janeiro registou 24,6 milhões de dólares, fevereiro apresentou um aumento para 25,8 milhões apesar da redução no volume, e março atingiu 28,3 milhões de dólares, o valor mais elevado do trimestre. Este comportamento sugere pressão nos preços internacionais e possíveis fragilidades na cadeia de abastecimento.
Em termos anuais, a tendência é ainda mais expressiva: o país passou de 226,4 milhões de dólares em importações de medicamentos em 2024 para 296,6 milhões em 2025, com crescimento simultâneo em volume e valor. Este aumento contínuo evidencia um risco macroeconómico relevante, associado à dependência externa e à exposição cambial num setor crítico para a estabilidade social.

No contexto mais amplo das importações, produtos como frango, trigo, arroz e óleo de soja continuam a liderar a fatura externa, reforçando a leitura de uma economia ainda fortemente dependente do exterior para bens essenciais. O desafio estratégico passa por transformar esta pressão em oportunidade, acelerando investimentos na indústria farmacêutica local e em cadeias produtivas internas, reduzindo a saída de divisas e fortalecendo a autonomia económica.

