A execução do Orçamento Geral do Estado 2025 evidencia um desvio expressivo na rubrica de projecção internacional, com o Estado angolano a gastar quase 13 mil milhões de Kwanzas quatro vezes acima dos cerca de 3,3 mil milhões inicialmente previstos. Para o ambiente de negócios, este nível de sobre-execução levanta preocupações sobre disciplina fiscal e previsibilidade orçamental, dois factores críticos para a confiança de investidores e parceiros institucionais.
Do ponto de vista financeiro, o diferencial de quase 10 mil milhões de Kwanzas acima do aprovado sugere uma execução com fraco alinhamento ao planeamento inicial. Para empresas que dependem de contratos públicos ou da estabilidade macroeconómica, estas variações podem afectar expectativas, cronogramas de investimento e até custos de financiamento, sobretudo num contexto em que a gestão eficiente dos recursos públicos é determinante para a credibilidade do país.
A análise trimestral revela uma execução altamente concentrada, com apenas 75 milhões de Kwanzas desembolsados no primeiro trimestre, contrastando com um pico de cerca de 8,1 mil milhões no segundo trimestre. Esta assimetria temporal indica uma gestão orçamental reativa, o que pode comprometer a eficiência do gasto público e reduzir o impacto económico esperado, particularmente quando os investimentos não seguem uma lógica contínua e previsível.


Nos trimestres seguintes, a desaceleração para cerca de 1,4 mil milhões no terceiro trimestre, seguida de nova subida para mais de 3,4 mil milhões no quarto, reforça a volatilidade na execução. Para o sector privado, esta dinâmica pode traduzir-se em atrasos em pagamentos, desalinhamento em projectos e pressão sobre a liquidez das empresas, sobretudo aquelas integradas em cadeias de fornecimento ao Estado.
Apesar dos desvios, o investimento enquadra-se na estratégia do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, que inclui a promoção da imagem de Angola no contexto regional e internacional como eixo prioritário. Do ponto de vista económico, este tipo de despesa pode gerar retornos indirectos, como maior atracção de investimento estrangeiro e fortalecimento das relações comerciais. No entanto, para maximizar esses benefícios, será essencial reforçar a transparência, o controlo da execução e a eficiência na alocação de recursos públicos.

