Luanda acolhe um workshop nacional dedicado ao Acordo BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction), também conhecido como Tratado do Alto Mar, que estabelece um quadro jurídico internacional para a conservação e gestão da biodiversidade marinha em áreas fora da jurisdição nacional.
O instrumento jurídico tem como objectivo reforçar a protecção dos ecossistemas oceânicos, promovendo a criação de áreas marinhas protegidas e a obrigatoriedade de avaliações de impacto ambiental para actividades económicas que possam afectar a vida marinha, incluindo pesca industrial, exploração de recursos e transporte marítimo.
Angola assinou o acordo em Janeiro do ano passado, na sede das Nações Unidas, tornando-se no 107.º Estado-membro a aderir ao compromisso global. A adesão posiciona o país dentro das dinâmicas internacionais de governação dos oceanos, num contexto em que os recursos marinhos ganham crescente importância estratégica.


Na abertura do workshop, a ministra das Pescas e Recursos Marinhos destacou que o BBNJ representa um passo relevante para a consolidação da política marítima nacional, sublinhando que Angola tem vindo a estruturar uma abordagem integrada de gestão do mar através da Estratégia Nacional para o Mar de Angola 2030 e do Plano de Ordenamento do Espaço Marinho.
Segundo o Ministério das Pecas e Recursos Marinhos, estas iniciativas estão alinhadas com a construção de uma economia azul sustentável, baseada no conhecimento científico, na cooperação internacional e na exploração responsável dos recursos marinhos, com impacto directo no crescimento económico e na segurança alimentar.


O encontro reúne especialistas nacionais e internacionais que analisam os efeitos do acordo nas políticas públicas angolanas, especialmente no que diz respeito à regulação da pesca, conservação ambiental e potenciais oportunidades de investimento no sector marítimo.
O BBNJ é visto como um instrumento que poderá influenciar a gestão de recursos marinhos e abrir espaço para novos modelos de exploração sustentável, equilibrando preservação ambiental e valorização económica dos oceanos, considerados cada vez mais um activo estratégico para o desenvolvimento de Angola.

