Angola vai acolher, em Setembro deste ano, o Congresso Mundial da Água, um evento internacional que visa destacar os avanços do país na utilização sustentável e preservação dos recursos hídricos, alinhado com a decisão da União Africana de declarar 2026 como o Ano da Água.
O anúncio foi feito pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, no final da sessão do Conselho Nacional de Águas, orientada pela vice-presidente Esperança da Costa, em Luanda. O encontro serviu para avaliar projectos estratégicos e reforçar a importância da gestão integrada da água no país.

Durante a reunião, foi apresentado o mapeamento de um dos maiores aquíferos de Angola, localizado na fronteira com a Namíbia. A reserva subterrânea, alimentada pelo Rio Cubango, poderá beneficiar directamente as populações das províncias do Cuando, Cubango, Huíla e Cunene.
Já existem trabalhos de perfuração em ambos os lados da fronteira para permitir o aproveitamento deste importante recurso hídrico”, afirmou o ministro, sublinhando que a valorização das águas subterrâneas é essencial para garantir o bem-estar das gerações actuais e futuras.
No plano financeiro, o Conselho analisou um orçamento estimado em cerca de 260 milhões de kwanzas para 2026, destinado à monitorização de projectos como o canal do Cafu, barragens e perímetros irrigados, além de iniciativas de combate à seca em várias regiões do país.


Entre as prioridades consta também a criação de uma estratégia nacional para proteger as nascentes de rios como o Rio Cunene, Rio Keve, Rio Longa e Rio Catumbela, face à crescente pressão de actividades como o garimpo.
No domínio urbano, o destaque vai para o avanço do projecto Projecto Bita, que terá capacidade para abastecer mais de 2,5 milhões de habitantes, com produção diária de 250 mil metros cúbicos de água e cobertura para mais de 160 mil famílias.
“Queremos tornar regular o abastecimento de água por 24 horas, para as pessoas que vivem hoje na parte urbana da cidade”, referiu o governante, destacando ainda o impacto do sistema de Quilonga Grande e das novas estações de tratamento no reforço do fornecimento.

Do ponto de vista económico, a realização do Congresso Mundial da Água posiciona Angola como um polo de atração de investimento internacional no sector hídrico, criando oportunidades para financiamento de infraestruturas, parcerias público-privadas e transferência de tecnologia.
O evento também tende a impulsionar cadeias de valor ligadas à engenharia, construção civil, saneamento e agricultura irrigada, sectores que dependem diretamente da gestão eficiente da água e que têm impacto direto no crescimento económico sustentável do país.
Com uma população estimada em cerca de 13 milhões de habitantes, Luanda enfrenta ainda desafios significativos no acesso à água potável, sobretudo nas zonas periféricas. O Executivo prevê expandir gradualmente a rede domiciliar para garantir o acesso universal ao recurso.

