O mercado global de alumínio enfrenta um choque de oferta sem precedentes, classificado como um verdadeiro “cisne negro” pela Mercuria, num contexto de forte instabilidade geopolítica no Médio Oriente. As interrupções na produção e logística, associadas ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, estão a provocar uma contração significativa na oferta global deste metal estratégico.
Segundo a análise apresentada durante a FT Commodities Global Summit, o encerramento e a redução de actividade em fundições no Golfo responsável por cerca de 9% da produção mundial criaram um défice estimado em pelo menos 2 milhões de toneladas até ao final de 2026. Este cenário é agravado pela limitação de capacidade produtiva alternativa em regiões como China, Estados Unidos e Europa.


O impacto já é visível nos mercados: os preços do alumínio na London Metal Exchange atingiram máximos de quatro anos, ultrapassando os 3.600 dólares por tonelada, enquanto os prémios pagos pelo metal físico dispararam para níveis recorde. A escassez de alumina matéria-prima essencial devido a constrangimentos logísticos, como no Estreito de Ormuz, intensifica ainda mais a pressão sobre a cadeia de abastecimento.
Do ponto de vista económico, o aumento dos preços do alumínio tem efeitos transversais em sectores como transporte, construção e embalagens, pressionando custos industriais e potencialmente alimentando a inflação global. Economias fortemente dependentes de importações, como os Estados Unidos e países europeus, surgem entre as mais expostas ao choque, dada a baixa disponibilidade de stocks.


Num cenário de incerteza prolongada, o mercado poderá enfrentar uma reconfiguração estrutural, com maior foco na diversificação de fornecedores, reciclagem e investimento em novas capacidades produtivas. Ainda assim, a natureza inesperada deste “cisne negro” evidencia a vulnerabilidade das cadeias globais de valor a choques geopolíticos, com impactos directos na estabilidade dos mercados e na previsibilidade dos preços.

