A África está a emergir como um espaço estratégico para a Rússia testar uma rede financeira paralela, num contexto de crescente pressão das sanções impostas pelos Estados Unidos e aliados ocidentais, que limitaram o acesso de Moscovo aos sistemas financeiros globais tradicionais.
Segundo um relatório do Centro para a Resiliência da Informação, a empresa russa de criptomoedas A7 está a expandir discretamente as suas operações no continente africano, com o objectivo de contornar sanções e desenvolver canais alternativos de pagamentos e liquidação internacional.

Após a exclusão do sistema SWIFT, a Rússia tem intensificado esforços para criar infra-estruturas financeiras independentes, recorrendo a activos digitais e stablecoins, como a A7A5, que já foi alvo de propostas de sanções por parte da União Europeia.
Investigações apontam que a A7 está a desenvolver uma rede paralela para circulação de rublos e activos digitais fora dos sistemas controlados pelo Ocidente, contando com alegado apoio do PSB Bank e do empresário Ilan Shor.
O relatório indica ainda sinais de actividade em vários países africanos, com destaque para Nigéria, Zimbabué, Togo e Madagáscar, onde terão ocorrido acções de recrutamento, visitas estratégicas e estabelecimento de contactos institucionais.
O crescente interesse pela África está directamente ligado à rápida adopção de criptomoedas no continente. Dados recentes indicam que a África Subsaariana movimentou mais de 205 mil milhões de dólares em activos digitais entre 2024 e 2025, representando um crescimento significativo impulsionado por factores como elevados custos de remessas e volatilidade cambial.


Países como Quénia, África do Sul e especialmente a Nigéria destacam-se na adopção, com milhões de utilizadores a recorrerem às criptomoedas para pagamentos, poupança e transferências internacionais.
Ao contrário dos mercados ocidentais, onde o uso de criptomoedas é frequentemente especulativo, em África a utilização é essencialmente prática, funcionando como alternativa aos sistemas bancários tradicionais e como mecanismo de preservação de valor.
Durante uma conferência África-Rússia no Cairo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, classificou a A7 como a “primeira plataforma financeira internacional” do país, sublinhando o seu papel na reconfiguração dos fluxos financeiros globais num cenário de crescente fragmentação económica.

