África perde anualmente mais de 5 mil milhões de dólares em taxas associadas às operações de pagamento internacional processadas através do sistema SWIFT, um custo elevado que expõe as fragilidades estruturais do sistema financeiro do continente e reforça a necessidade de soluções próprias para transacções intra-africanas.
O dado foi avançado por Tsotetsi Makong, responsável do Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), durante uma sessão virtual de formação dirigida a jornalistas africanos, onde destacou o impacto económico das taxas de conversão cambial nas operações internacionais.
Segundo o responsável, a dependência de sistemas externos como o SWIFT aumenta significativamente os custos das transacções, reduzindo a eficiência do comércio africano e limitando a competitividade das economias do continente.

Este cenário tem impulsionado a adopção do Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidações (PAPSS), uma iniciativa liderada pelo Afreximbank, com o apoio da União Africana.
O PAPSS surge como uma alternativa estratégica para permitir pagamentos diretos entre países africanos, sem necessidade de conversão para moedas estrangeiras, reduzindo custos, acelerando transacções e promovendo maior integração económica no âmbito da AfCFTA.
Durante a sessão, foi igualmente destacado o défice crónico de financiamento para infra-estruturas no continente, estimado em mais de 10 mil milhões de dólares por ano. Este cenário, segundo Makong, obriga África a repensar os seus modelos de financiamento e a mobilizar recursos internos para responder às exigências do desenvolvimento económico.
O especialista sublinhou que, apesar dos desafios, o continente dispõe de potencial significativo tanto no sector público como no privado, sendo fundamental criar mecanismos que facilitem o investimento e reduzam os custos operacionais associados ao comércio.


O custo anual superior a 5 mil milhões de dólares em taxas financeiras representa uma fuga significativa de recursos do continente, afectando directamente a liquidez, a competitividade empresarial e a eficiência do comércio intra-africano.
A implementação do PAPSS pode gerar ganhos estruturais relevantes, nomeadamente: redução dos custos de transacção, maior rapidez nos pagamentos, menor dependência de moedas externas, e estímulo ao comércio intra-africano
No entanto, o sucesso do sistema dependerá da adesão efectiva dos países e da confiança dos operadores económicos, num contexto em que a integração financeira ainda enfrenta desafios institucionais e tecnológicos.

