África iniciou 2026 com forte entrada de capital privado, ao captar cerca de 16,1 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, mesmo com a redução do número de negócios realizados. O movimento revela uma mudança no perfil dos investidores, que passaram a privilegiar menos operações, porém de maior dimensão e com retorno mais previsível.
Segundo dados do relatório de actividade de capital privado da Stears, o número total de transacções caiu para 172 operações, abaixo das 188 registadas no trimestre anterior e das 201 verificadas no mesmo período do ano passado. Apesar disso, o volume financeiro disparou, impulsionado por grandes investimentos em sectores considerados estratégicos.
A Nigéria liderou esse desempenho graças a duas operações de peso, o acordo entre a MTN e a IHS, avaliado em 6,2 mil milhões de dólares, e o financiamento de 4 mil milhões de dólares ligado à refinaria Dangote. Juntas, as duas transacções representaram cerca de dois terços do valor total divulgado no continente.

O comportamento dos investidores acompanha uma tendência global marcada por juros ainda elevados e maior prudência nos mercados internacionais. Nesse cenário, activos ligados à infraestrutura, telecomunicações, energia e logística tornam-se mais atractivos por oferecerem receitas estáveis e relevância económica de longo prazo.
Além dos mega negócios, o segmento intermédio também começou a dar sinais de recuperação. Operações entre 25 e 75 milhões de dólares aumentaram ligeiramente, com destaque para o Egipto, onde o capital foi direccionado sobretudo ao imobiliário e ao desenvolvimento urbano, sectores impulsionados pelo crescimento populacional.
Os mercados tradicionais como Nigéria, Egipto, África do Sul, Quénia e Gana continuam a dominar a actividade, mas novos destinos começam a ganhar espaço. Marrocos, Zâmbia e Uganda surgem entre os países que atraem interesse crescente, sinalizando uma lenta diversificação geográfica do capital no continente.



Os serviços financeiros mantiveram a liderança sectorial, respondendo por quase um terço das operações, muito ligados ao financiamento de pequenas e médias empresas e ao crescimento das fintechs. Também ganharam relevância áreas emergentes como mobilidade eléctrica e inteligência artificial, especialmente na África Oriental.
O desempenho do trimestre indica que o capital internacional não abandonou África, mas tornou-se mais exigente e estratégico. Para o continente, isso significa que os recursos continuam disponíveis, desde que os projectos apresentem escala, previsibilidade regulatória e impacto económico capaz de transformar sectores inteiros.

