A actividade do sector privado do Quênia contraiu em Março pela primeira vez desde Agosto de 2025, reflectindo um abrandamento da dinâmica económica num contexto de pressões externas e internas. O recuo surge num momento em que empresas enfrentam menor procura e custos operacionais mais elevados.
O Índice de Gestores de Compras (PMI) do Stanbic Bank Kenya caiu para 47,7 pontos em Março, face aos 50,4 registados em Fevereiro, ficando abaixo do nível de 50 que separa crescimento de contração. O resultado indica uma deterioração generalizada da actividade empresarial, com excepção dos sectores de comércio grossista e retalho, que mantiveram alguma expansão.


Segundo a pesquisa, a desaceleração foi impulsionada sobretudo pela redução do consumo, com empresas a reportarem menor circulação de dinheiro e orçamentos familiares mais apertados. A conjuntura internacional também tem agravado o cenário, com a guerra no Médio Oriente a provocar disrupções logísticas, aumento dos custos de transporte e maior cautela nos gastos por parte das empresas.
O Presidente William Ruto reconheceu os riscos associados à actual conjuntura e afirmou que o Governo está a avaliar o impacto da crise nos preços e no abastecimento, procurando garantir estabilidade no fornecimento de bens essenciais. Ainda assim, os dados apontam para uma redução na produção e nas novas encomendas na maioria dos sectores.
Apesar da contração no curto prazo, as autoridades mantêm perspectivas de crescimento económico moderado, com o Ministério das Finanças a projectar uma expansão de 5,3% para este ano. No entanto, a evolução do contexto geopolítico e da procura interna será determinante para a recuperação da actividade empresarial nos próximos meses.

