A OpenFX reforçou a sua posição no ecossistema global de pagamentos ao captar 94 milhões de dólares numa ronda liderada por fundos como Accel, Atomico e Lightspeed. A operação avaliou a fintech em cerca de 500 milhões de dólares, reflectindo o crescente interesse dos investidores em soluções baseadas em blockchain para transformar o mercado cambial e reduzir fricções nas transferências internacionais.
O modelo de negócio da OpenFX assenta no uso de stablecoins como ponte entre sistemas financeiros tradicionais e infra-estruturas digitais, permitindo liquidações quase instantâneas. Para empresas que movimentam grandes volumes entre 1 milhão e 10 milhões de dólares , esta abordagem resolve um dos principais gargalos do mercado forex tradicional: a falta de liquidez eficiente e os elevados custos de conversão, que podem atingir entre 2% e 5%.


Do ponto de vista empresarial, a proposta de valor é clara: redução de custos operacionais, maior velocidade de execução e optimização da gestão de tesouraria. Segundo a empresa, mais de 98% das transacções são liquidadas em menos de 60 minutos, um contraste significativo face aos dois a cinco dias úteis exigidos pelos sistemas tradicionais. Para fintechs, neobancos e plataformas de pagamentos, esta eficiência representa uma vantagem competitiva directa num mercado cada vez mais orientado para tempo real.
A trajectória de crescimento da OpenFX também chama a atenção. A empresa passou de um volume anualizado de 4 mil milhões para mais de 45 mil milhões de dólares em pagamentos processados, evidenciando uma forte adopção por parte de clientes institucionais. Este crescimento é impulsionado pela procura crescente por soluções de pagamentos globais mais ágeis, sobretudo em mercados emergentes e corredores financeiros com maior volatilidade cambial.

Com o novo financiamento, a OpenFX planeia expandir-se para o Sudeste Asiático e América Latina, regiões onde a adopção de stablecoins está a acelerar. Para investidores, este movimento reforça a tese de que a infraestrutura financeira global está a entrar numa fase de transformação estrutural, onde tecnologias descentralizadas podem redefinir o papel dos intermediários tradicionais e criar novas oportunidades de escala e rentabilidade.

