A Uganda está a reposicionar a sua estratégia de desenvolvimento ao transformar ciência, tecnologia e inovação (CTI) num ativo económico central, através da implementação da Avaliação de Necessidades Tecnológicas (TNA). Mais do que um exercício técnico, o processo surge como um instrumento estruturante para identificar oportunidades de investimento e acelerar a transição de uma economia baseada em commodities para um modelo orientado ao conhecimento e à industrialização.
No plano empresarial, a iniciativa cria um novo pipeline de oportunidades em sectores como agroindústria, turismo, mineração e tecnologia digital, alinhados ao modelo estratégico ATMS. Ao mapear lacunas tecnológicas nas cadeias de valor, o país prepara o terreno para a entrada de capital privado e parcerias internacionais, reduzindo o risco para investidores e aumentando a previsibilidade dos projetos.


A estratégia está diretamente ligada ao objetivo de Uganda de sair da categoria de País Menos Desenvolvido, um marco alcançado preliminarmente em 2024 e que poderá ser consolidado até 2027. Contudo, a transição exige mais do que indicadores macroeconómicos positivos requer transformação estrutural. Nesse contexto, a CTI funciona como motor de produtividade, agregação de valor e diversificação económica, elementos essenciais para sustentar o crescimento no longo prazo.
Ainda assim, persistem desafios relevantes. A execução será o principal teste para o modelo ugandês, especialmente na capacidade de mobilizar financiamento, garantir coordenação institucional e transformar diagnósticos em projetos escaláveis. Em mercados emergentes, a distância entre planeamento e implementação continua a ser um dos maiores entraves à materialização de políticas tecnológicas.
Apesar disso, a abordagem da Uganda oferece um sinal claro ao mercado: há uma mudança de paradigma em curso, onde tecnologia deixa de ser apenas suporte e passa a ser infraestrutura económica crítica. Para empresas de tecnologia, consultorias, fundos de investimento e organismos multilaterais, o país emerge como um laboratório estratégico para testar modelos de desenvolvimento orientados por inovação em África.

