A indústria extractiva angolana foi desafiada a acelerar a adopção da Inteligência Artificial (IA) como ferramenta estratégica para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e melhorar a competitividade do sector mineiro e petrolífero no mercado internacional.
A recomendação foi avançada pela Câmara de Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Minérios de Angola (CCIGPMA), que considera que o investimento em tecnologias inteligentes poderá transformar áreas como a exploração, monitorização de operações e manutenção preditiva em plataformas petrolíferas e minas.
A entidade defende igualmente que Angola deve continuar a simplificar regulamentações e fortalecer políticas de inovação para atrair mais capital estrangeiro. A aposta em sistemas de eficiência energética e energias renováveis também é vista como essencial para alinhar o sector extractivo com as metas globais de sustentabilidade.


Num contexto de queda dos preços internacionais das commodities, sobretudo do petróleo, o sector é aconselhado a reforçar reservas financeiras e racionalizar despesas, de modo a garantir maior estabilidade e sustentabilidade a longo prazo.
Apesar das incertezas no mercado global, a Câmara considera que a África Subsaariana continua a apresentar perspectivas positivas de crescimento económico, criando oportunidades para Angola consolidar-se como fornecedor estratégico de energia e recursos minerais.
O sector extractivo também é alertado para riscos externos capazes de afectar o Investimento Directo Estrangeiro (IDE), incluindo os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, que podem pressionar os custos de transporte, seguros e cadeias globais de abastecimento.

Outro desafio apontado está relacionado com o elevado nível da dívida pública global e as mudanças nas políticas comerciais internacionais, factores que podem encarecer o financiamento de projectos de infra-estruturas e aumentar a volatilidade do ambiente económico mundial.
O cenário económico internacional analisado aponta para um crescimento global de 3,3% em 2026 e 3,2% em 2027, enquanto a África Subsaariana deverá acelerar de 4,4% para 4,6% no mesmo período, impulsionada por reformas estruturais e estabilidade macroeconómica.
Para o sector petrolífero, as previsões indicam uma redução de cerca de 7% nos preços do petróleo este ano, influenciada pela desaceleração da procura mundial e pelo aumento da oferta internacional. Ainda assim, estratégias da OPEP+ e o reforço das reservas estratégicas de grandes economias deverão ajudar a evitar quedas mais acentuadas no mercado.

