O sector global da mineração iniciou 2026 com forte dinamismo nas operações de fusões e aquisições, atingindo um volume de negócios estimado em 21,6 mil milhões de dólares no primeiro trimestre, o melhor desempenho para o período desde 2023. O movimento reflecte a crescente disputa internacional por activos ligados a minerais críticos e metais estratégicos.
De acordo com dados divulgados pela sociedade internacional de advogados White & Case LLP, foram registadas 121 transacções entre Janeiro e Março deste ano, superando as 117 operações contabilizadas no mesmo período de 2025 e as 102 verificadas em 2024.
O valor agregado das operações aumentou cerca de 34% face ao primeiro trimestre do ano passado, prolongando a trajectória de crescimento observada em 2025, quando o sector mineiro global alcançou quase 94 mil milhões de dólares em fusões e aquisições, o nível mais elevado em mais de uma década.
Especialistas apontam que o interesse crescente por minerais críticos ligados à transição energética, como lítio, cobre, níquel e terras raras, está a redefinir as estratégias das grandes multinacionais mineiras e fundos de investimento. O foco concentra-se cada vez mais em activos localizados em países considerados politicamente estáveis e com maior previsibilidade regulatória.



Mesmo após o fracasso das negociações entre a Glencore e a Rio Tinto, duas das maiores multinacionais mineiras do mundo, o mercado manteve um ritmo elevado de operações, sinalizando que os factores estruturais associados à segurança das cadeias globais de abastecimento continuam a sustentar o interesse dos investidores.
As parcerias estratégicas passaram também a desempenhar um papel central neste novo ciclo de investimentos. Segundo a White & Case, cerca de 32% dos participantes da sua pesquisa global para 2026 acreditam que alianças empresariais e joint ventures serão o principal formato de transacção no sector mineiro este ano.
Entre os negócios recentes de maior destaque está a operação envolvendo o grupo brasileiro Serra Verde, produtor de terras raras, que assegurou financiamento de 565 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e avançou para uma fusão avaliada em aproximadamente 2,8 mil milhões de dólares com a norte-americana USA Rare Earth. O objectivo é criar uma cadeia integrada de produção fora da Ásia.

O ouro continua igualmente no centro das atenções do mercado. Com os preços próximos de máximos históricos devido às tensões geopolíticas e à procura por activos de refúgio, analistas acreditam que o segmento dos metais preciosos poderá liderar uma nova vaga de consolidação global nos próximos meses, reforçando ainda mais o peso estratégico da mineração na economia mundial.

