As exportações de combustível de aviação da Refinaria Dangote registaram um crescimento exponencial nos últimos dois anos, evidenciando uma mudança estrutural nas cadeias globais de abastecimento energético e reforçando o papel emergente de África no mercado internacional de combustíveis.
Dados da Kpler indicam que os embarques de querosene de aviação aumentaram cerca de 770% entre abril de 2024 e Abril de 2026, saltando de 18.000 barris por dia para um recorde de 158.000 barris diários, refletindo a rápida consolidação da capacidade de refinação nigeriana.
A Europa tornou-se o principal destino das exportações, absorvendo cerca de 70.000 barris por dia, num movimento impulsionado pela necessidade de diversificação energética face às tensões no Médio Oriente. A redução da dependência de fornecedores tradicionais do Golfo tem levado os compradores europeus a privilegiar rotas mais curtas e seguras a partir da Nigéria.
O redireccionamento das cadeias de abastecimento está diretamente ligado a riscos logísticos crescentes em corredores estratégicos como o Mar Vermelho, levando a uma reconfiguração do comércio global de energia, onde a África Ocidental surge como alternativa competitiva.


No continente africano, as exportações também cresceram de forma significativa, aumentando mais de 280% no período analisado. Este avanço contribui para reduzir a dependência de importações de combustível de aviação provenientes da Europa e da Ásia, além de ajudar a estabilizar preços para companhias aéreas regionais.
Já nas Américas, os fluxos apresentaram maior volatilidade, com os volumes a recuarem após picos em 2025, à medida que a refinaria passou a priorizar mercados com margens mais elevadas, como o europeu, demonstrando uma estratégia comercial orientada para maximização de valor.
A diversificação geográfica das exportações também se intensificou, com novos destinos na América do Sul e Ásia a ganharem relevância, sinalizando a crescente integração da produção africana nos fluxos globais de energia.
Paralelamente, a NNPC registou um dos seus melhores desempenhos dos últimos anos, com produção e comercialização robustas, reforçando a capacidade do país em atuar tanto no upstream como no downstream do sector energético.

A parceria entre a NNPC e a refinaria, incluindo acordos estratégicos e participação acionista, demonstra um modelo integrado que fortalece a autonomia energética da Nigéria e melhora a sua posição nas cadeias globais de valor.
No plano macroeconómico, o crescimento acelerado da refinaria evidencia uma transformação estrutural no sector energético nigeriano, posicionando o país como um actor cada vez mais influente nos mercados internacionais de petróleo e combustíveis de aviação, com impactos directos na balança comercial e na geração de receitas.

